No seu primeiro discurso como Presidente da República, António José Seguro abordou a “autonomia estratégica europeia” e a relevância da NATO no contexto internacional. A cerimónia decorreu em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, um ponto estratégico que alberga a base das Lajes, envolvida em tensões entre os EUA e o Irão.
Seguro sublinhou que a autonomia estratégica europeia não deve ser vista como uma contradição à defesa transatlântica, mas sim como um complemento essencial. “O presente e o futuro da Europa e da América do Norte são dimensões de uma mesma comunidade de segurança que tem na NATO o seu pilar fundamental”, afirmou.
O Presidente destacou a importância do Atlântico como parte integrante da autonomia estratégica europeia, especialmente em termos de segurança e defesa. Ele apelou à “liberdade de decisão e responsabilidade”, enfatizando a necessidade de fortalecer as cooperações bilaterais com aliados.
Os Açores foram mencionados como um elemento central na identidade e na história de Portugal, além de serem um ponto estratégico entre a Europa e o continente americano. Seguro afirmou que a localização dos Açores impõe responsabilidades especiais em relação à soberania e aos interesses nacionais.
No seu discurso, Seguro também se dirigiu aos emigrantes, reafirmando que “Portugal pensa em vós” e que o país estará sempre de braços abertos para recebê-los. Abordou ainda a questão das condições de vida em Portugal, particularmente para os jovens altamente qualificados que, apesar do seu talento, muitas vezes se veem obrigados a procurar oportunidades fora do país. “O que se ganhou em qualificação não tem sido acompanhado em remuneração”, lamentou.
O Presidente apelou à coragem para fazer escolhas difíceis e a necessidade de se investir no futuro, mesmo quando o presente é desafiante. “A grande rutura está em curso”, disse Miguel Monjardino, presidente da Comissão Organizadora das Comemorações, que antecedeu o discurso de Seguro. Ele alertou para a desordem e ignorância como inimigos da sociedade e destacou a importância de uma nova coligação de potências médias para proteger o sistema internacional.
A mensagem de António José Seguro e as reflexões de Monjardino revelam um momento crucial para Portugal, que deve assumir um papel ativo na construção de um futuro mais seguro e coeso, tanto a nível europeu como global.
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Fonte: ECO





