Incentivos fiscais em Portugal: por que as PME não aproveitam?

Portugal é um país onde as microempresas e as pequenas e médias empresas (PME) dominam o tecido empresarial, representando mais de 95% do total. No entanto, muitas destas empresas enfrentam desafios significativos, como uma capacidade financeira limitada, baixos níveis de capitalização e uma fraca capacidade de investimento. Neste contexto, surge uma questão pertinente: por que razão as empresas portuguesas aproveitam apenas uma pequena fração dos incentivos fiscais ao investimento que estão disponíveis?

Os incentivos fiscais são ferramentas que podem impulsionar o crescimento e a inovação, mas a sua eficácia depende de um investimento significativo. Muitas PME, que frequentemente têm margens reduzidas ou até prejuízos, encontram-se numa posição difícil para usufruir destes benefícios. A realidade é que as empresas que mais necessitam de apoio são, muitas vezes, as que menos conseguem tirar partido dos incentivos fiscais.

Os incentivos fiscais em Portugal funcionam através de deduções à coleta, créditos fiscais e abatimentos ao IRC. Contudo, para beneficiar de uma redução do imposto, é necessário que a empresa tenha um imposto a reduzir. Assim, uma PME que não gera lucros ou que apresenta uma matéria coletável reduzida terá dificuldade em aproveitar essas oportunidades.

Além disso, a complexidade dos regimes de benefícios fiscais pode ser um entrave. Embora existam instrumentos como o SIFIDE II, que apoia a investigação e desenvolvimento, e o RFAI, que incentiva o investimento, muitos empresários sentem que os custos administrativos e a necessidade de acompanhamento especializado são excessivos. Questões como “Posso utilizar o benefício?” ou “E se a Autoridade Tributária entender que não cumpri os requisitos?” são comuns entre os empresários, que muitas vezes optam por uma postura conservadora em relação aos incentivos fiscais.

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Uma parte significativa dos incentivos mais generosos está direcionada para áreas como inovação, digitalização e transição energética. Estas são fundamentais para a competitividade do país, mas nem sempre se alinham com o perfil das PME, que frequentemente investem em tesouraria e manutenção da atividade, em vez de em projetos que gerem acesso a incentivos mais relevantes.

Outro fator a considerar é a falta de planeamento fiscal estratégico. Muitas empresas só analisam a otimização fiscal após o investimento, o que resulta na perda de oportunidades de estruturar projetos de forma a maximizar os benefícios fiscais. O planeamento adequado poderia permitir a escolha do incentivo mais favorável e a compatibilização de apoios financeiros e fiscais.

Em suma, Portugal dispõe de uma variedade de instrumentos fiscais que visam apoiar o investimento empresarial. No entanto, o desafio reside na acessibilidade e adequação desses incentivos à realidade das PME. É crucial garantir que as empresas com potencial e necessidade de investir consigam, efetivamente, utilizar os incentivos fiscais disponíveis.

Leia também: A importância do planeamento fiscal nas PME.

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Fonte: ECO

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