Novo fundo de 126 milhões aposta na economia azul em Portugal

Em um cenário onde a conversa económica global se centra em inovações como a inteligência artificial e as startups tecnológicas, surge uma nova abordagem que remete ao passado de Portugal: o mar. Esta foi a mensagem central do Oeiras Bluetech Ocean Forum 2026, onde foi apresentado o STAG: Blue Transformation Fund, um fundo de investimento dedicado à economia azul e à valorização dos recursos marítimos do país.

António-Castel Branco, parceiro operativo do fundo, destacou que “muito do que teve impacto global em Portugal teve ligação ao mar”, sublinhando o legado único que o país possui. Apesar disso, ele acredita que esse potencial tem sido subaproveitado em comparação com o entusiasmo por novas tecnologias. O objetivo do fundo é angariar 126 milhões de euros ainda este ano, com investidores já comprometidos. Este montante representa um por mil do valor estimado pela ONU, e o fundo visa uma taxa de rentabilidade alvo (TIR) de 20%, com uma duração de oito anos.

A STAG, gestora de fundos de capital de risco com sede em Lisboa, já possui um portefólio de mais de 20 fundos, totalizando 450 milhões de euros. O novo fundo pretende ser uma ponte entre empresas tradicionais da economia marítima, que trazem experiência acumulada ao longo de gerações, e startups e centros de investigação que desenvolvem soluções inovadoras. A meta é aumentar a competitividade internacional dessas empresas através da incorporação de tecnologia e conhecimento científico.

A estratégia de investimento do STAG está dividida em três áreas principais. Metade do capital será direcionada para a aquacultura sustentável, focando na produção de espécies como robalo e dourada. Outros 35% serão aplicados na transformação e valorização de produtos do mar, enquanto uma parte significativa será reservada para projetos de inovação tecnológica que possam ser integrados nas restantes áreas.

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António-Castel Branco expressou uma preocupação central: “Como vamos alimentar o mundo de forma sustentável?” Ele considera que este pode ser o maior desafio do nosso tempo. Um exemplo prático da abordagem do fundo é o percurso do próprio sócio-fundador, que desenvolveu uma empresa de aquacultura, alcançando uma produção anual de cerca de 1200 toneladas. Este modelo, segundo ele, é replicável e demonstra que é possível competir com grandes operadores, priorizando a qualidade em vez da quantidade.

“Portugal não tem escala para competir em volume. Deve competir em excelência”, afirmou, acrescentando que a produção alimentar sustentável será um dos grandes desafios das próximas décadas. O projeto conta com uma equipa experiente na área da economia do mar, com profissionais que possuem várias décadas de experiência no setor.

A ambição do STAG é posicionar Portugal como uma referência na “blue economy”, num momento em que o investimento internacional começa a olhar com mais atenção para este domínio. Assim, o Blue Transformation Fund surge como uma tentativa de reescrever a relação de Portugal com o oceano, adaptando-a às exigências do século XXI, onde sustentabilidade, inovação e identidade nacional se entrelaçam numa mesma estratégia.

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Fonte: Sapo

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