O turismo é o principal motor da economia do Porto Santo, na Madeira, mas a Câmara Municipal decidiu limitar a construção de novas unidades hoteleiras, focando-se na sustentabilidade do setor e na promoção da ilha como um “refúgio de sentidos”. O presidente da Câmara, Nuno Batista, destacou que a pressão humana é um dos principais limites da ilha, que tem apenas 43 quilómetros quadrados. “Se aumentássemos o número de hotéis, estaríamos a consumir um espaço muito grande”, alertou.
Nuno Batista, que lidera a autarquia desde 2021, afirmou que o turismo de massas não é uma opção viável para o Porto Santo. Em vez disso, a Câmara Municipal quer promover um turismo organizado e sustentável, que atraia visitantes que queiram voltar à ilha. “É melhor arrependermo-nos de não ter feito um investimento do que cometer um erro irrecuperável”, sublinhou.
A Câmara Municipal, composta por membros do PSD e CDS-PP, está a investir 16 milhões de euros em projetos que visam melhorar a qualidade de vida, recuperar património e promover a sustentabilidade ambiental. A construção de novas infraestruturas é considerada rara, numa clara demonstração do compromisso com o turismo sustentável.
Dados da Direção Regional de Estatística da Madeira revelam que, em agosto de 2025, o Porto Santo recebeu 19.377 turistas em alojamento turístico coletivo, embora não contabilize os hóspedes das cerca de 200 unidades de alojamento local. Ao longo do ano, as 26 unidades hoteleiras registaram 134.731 hóspedes, com uma maioria significativa proveniente de Portugal.
O autarca enfatizou a escolha clara pelo turismo nacional e regional, com mais de 50% dos visitantes a serem nacionais. Contudo, Nuno Batista lamentou as dificuldades de mobilidade aérea, que limitam o acesso à ilha fora da época alta. “É injustificável que não haja uma única ligação a Portugal continental durante todo o ano”, afirmou, destacando a necessidade de melhorar a conectividade para beneficiar tanto os residentes como os turistas.
A população do Porto Santo é de cerca de 5.200 habitantes, mas durante os meses de verão, especialmente em agosto, este número pode subir para 30.000. A praia, com nove quilómetros de extensão, continua a ser a principal atração da ilha.
Além disso, o setor do turismo tem recorrido a mão-de-obra imigrante, com jovens de São Tomé e Cabo Verde a desempenharem papéis essenciais na hotelaria e serviços. A Câmara Municipal tem apoiado a integração dessas comunidades, como demonstrado pelo Orçamento Participativo Jovem, que premiou um projeto de jovens cabo-verdianos para uma festa multicultural.
Neste contexto, a Câmara Municipal do Porto Santo está a desenvolver um plano a longo prazo que visa determinar a capacidade máxima da ilha para receber turistas sem comprometer a sua sustentabilidade. “Para tomar decisões, precisamos de números e de factos. Presumir pode levar ao erro”, concluiu Nuno Batista.
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Fonte: ECO





