O chefe da equipa negocial do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a República Islâmica dá prioridade ao diálogo com os Estados Unidos, mas está também preparada para a guerra, caso as negociações falhem. Ghalibaf, que é também presidente do Parlamento, fez estas declarações numa entrevista transmitida pela televisão estatal, sublinhando a posição do Irão nas atuais tensões com os EUA.
As declarações de Ghalibaf surgem num momento em que delegações iranianas e norte-americanas têm reuniões agendadas com o Qatar, que atua como mediador no conflito com o Paquistão, relacionado com um possível acordo de paz. O chefe da equipa negocial destacou que, durante o bloqueio imposto pelos EUA, o Irão não conseguiu exportar “um único barril de petróleo”, mas que, após a assinatura de um memorando de entendimento em junho, as exportações foram retomadas. “Exportámos mais de 40 milhões de barris de petróleo”, afirmou Ghalibaf, referindo que antes da assinatura do acordo, o país estava “completamente incapaz” de realizar qualquer exportação.
O memorando de entendimento, assinado a 17 de junho, suspendeu as hostilidades entre os dois países, estipulando que o Irão não desenvolverá armas nucleares. O documento também prevê um mecanismo para processar os estoques de urânio altamente enriquecido do Irão, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). As partes têm agora 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.
As negociações entre o Irão e os EUA, mediadas pelo Paquistão com o apoio de outros países do Médio Oriente, centram-se no programa nuclear iraniano, no futuro do estreito de Ormuz e no levantamento das sanções contra a República Islâmica. No entanto, o diálogo tem sido ameaçado por ataques de ambos os lados e pela contínua ofensiva de Israel contra o Hezbollah no Líbano, que está abrangido pela trégua exigida por Teerão.
O Qatar, que atua como mediador, anunciou que não estão planeadas reuniões de alto nível entre as partes nos próximos dias. Majed Al Ansari, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, confirmou que não há encontros diretos agendados entre os EUA e o Irão, embora os enviados norte-americanos estejam em Doha para discutir o progresso das negociações com mediadores.
“Estão aqui para se reunirem com mediadores e responsáveis do Qatar, e as discussões vão centrar-se em todas as questões regionais, incluindo negociações com o Irão”, acrescentou Al Ansari. O Presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu na realização de uma reunião direta, algo que Teerão tem sempre negado.
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Fonte: Sapo





