Portugal registou, entre 2024 e 2025, o maior aumento anual da despesa em Defesa da última década, atingindo um investimento de 6,1 mil milhões de euros. Este valor representa um cumprimento histórico da meta da NATO, que estipula que os países membros devem alocar 2% do PIB a esta área.
De acordo com o relatório anual da NATO, que foi apresentado durante a cimeira que decorreu em Ancara, na Turquia, a despesa em Defesa em Portugal subiu significativamente, passando de 4,4 mil milhões em 2024 para 6,1 mil milhões em 2025. Este aumento de cerca de 1,6 mil milhões de euros marca um ponto de viragem na trajetória de investimento do país, que nunca tinha registado um salto tão expressivo em apenas um ano.
O segundo maior aumento ocorreu entre 2023 e 2024, com um incremento de 919 milhões de euros. Apesar de continuar a ser um dos países da NATO que menos investe em Defesa, com uma média de 2,77% do PIB entre os aliados, Portugal foi o 12.º país que mais aumentou a sua despesa em Defesa em relação ao ano anterior.
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou que Portugal alcançará a próxima cimeira com 2,01% do PIB dedicado a esta área. Este objetivo foi estabelecido pela Aliança há mais de uma década e reflete uma tendência crescente entre os países europeus e o Canadá, num contexto em que o investimento dos Estados Unidos na NATO tem vindo a recuar.
A cimeira da NATO, que decorre em Ancara, também abordou a nova meta de 5% do PIB até 2035, que inclui 3,5% para gastos diretos em Defesa e 1,5% para investimentos em infraestruturas e indústria. A maior parte do investimento português continua a ser direcionada para despesas com pessoal, que representam cerca de 45% do total, uma diminuição em relação aos 54,7% de 2024.
As despesas com equipamentos aumentaram de 15% para 21%, enquanto as despesas com infraestruturas representam 2,15% do total. Neste contexto, Portugal está a construir dois navios reabastecedores, o NRP Luís de Camões e o D. Dinis, com entrega prevista para 2028.
Além disso, Nuno Melo visitou a Turquia no início do ano, onde explorou oportunidades de negócio e parcerias, incluindo uma visita à Baykar, uma empresa conhecida pela produção de drones utilizados em conflitos como o da Ucrânia.
Num momento em que os EUA exigem um reforço do pilar europeu da NATO, Portugal tem mantido uma postura colaborativa, evitando antagonizar a administração norte-americana. O país tem sido elogiado pelo uso da Base das Lajes, nos Açores, e a aliança transatlântica pode ser reforçada caso Portugal opte pelos F-35 para substituir os F-16, uma decisão que não deverá ser anunciada nesta cimeira.
Portugal também se candidatou ao mecanismo de empréstimos europeus SAFE, propondo um investimento de 5,8 mil milhões de euros para a aquisição de fragatas, satélites, blindados e sistemas antiaéreos, entre outros. O apoio à Ucrânia também está na agenda, com o Governo português a aprovar uma resolução que autoriza uma despesa de cerca de 130,4 milhões de euros para apoio a Kiev este ano.
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despesa em Defesa Nota: análise relacionada com despesa em Defesa.
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Fonte: Sapo





