O arrendamento de longo prazo está a ganhar cada vez mais destaque no mercado residencial em Portugal. Esta tendência surge não apenas devido às dificuldades que muitas famílias enfrentam para adquirir casa própria, mas também porque o arrendamento de longo prazo se apresenta como uma alternativa de investimento mais estável e previsível, ideal para uma gestão patrimonial a longo prazo.
Os dados do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, referentes ao final do segundo trimestre, ajudam a compreender esta realidade. Em Portugal, o preço médio de venda de imóveis atingiu os 3.544 euros por metro quadrado, enquanto o valor médio de arrendamento se fixou em 15,46 euros por metro quadrado. Contudo, a oferta de imóveis para arrendamento continua a ser bastante limitada, com apenas 4.812 imóveis disponíveis para arrendar, em contraste com as 98.559 propriedades à venda. Este desequilíbrio revela que o arrendamento de longo prazo ainda representa uma parte reduzida da oferta total, num cenário onde a procura por soluções habitacionais flexíveis se mantém elevada.
Este desequilíbrio deve ser analisado em conjunto com a acessibilidade à compra de imóveis. Para um apartamento T2, a prestação média estimada em junho foi de 1.154 euros, o que corresponde a cerca de 49% do rendimento líquido mensal de um casal. Para um T3, esse esforço financeiro sobe para 53%. Estes dados ajudam a explicar porque o arrendamento de longo prazo continua a ser uma opção relevante para muitas famílias.
Do ponto de vista dos investidores, a rentabilidade do arrendamento de longo prazo é moderada, mas a sua previsibilidade torna-a atrativa. A yield bruta implícita a nível nacional situa-se em torno dos 5,3%. Nos mercados mais dinâmicos, como Lisboa, Porto, Faro ou Setúbal, esta rentabilidade tende a ser inferior, variando entre 4,1% e 4,4%, refletindo os preços de aquisição mais elevados. Em contrapartida, em mercados secundários, a yield pode ser superior, embora com menor profundidade de procura e uma necessidade de análise mais detalhada.
Esta realidade aponta para um perfil de investidor mais profissional, que se mostra menos interessado em ganhos rápidos e mais focado na localização, qualidade do ativo, risco de vacância, estabilidade do inquilino e eficiência na gestão.
Embora o arrendamento de longo prazo não resolva por si só os problemas do mercado habitacional, pode contribuir para um equilíbrio maior, desde que existam condições de estabilidade regulatória, uma fiscalidade adequada e um aumento da oferta de imóveis destinados ao arrendamento.
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Fonte: Doutor Finanças




