Novas tarifas de Trump geram preocupação global por trabalho forçado

A recente imposição de novas tarifas pela Administração de Donald Trump, fundamentadas na proibição de importação de produtos resultantes de trabalho forçado, gerou um forte descontentamento em várias capitais do mundo. Países como Japão, Austrália e Nova Zelândia manifestaram a sua preocupação com estas medidas, que afetam mais de 99% das importações norte-americanas.

Minoru Kihara, porta-voz do Governo japonês, expressou a sua insatisfação, afirmando que “a indústria e o comércio japoneses funcionam em conformidade com as regras internacionais”. Kihara sublinhou que o Japão lamenta a imposição de tarifas apenas com base na alegação de que não existe uma proibição clara sobre a importação de produtos resultantes de trabalho forçado.

O ministro australiano do Comércio, Don Farrell, também criticou as novas tarifas, considerando-as “injustificadas” e incompatíveis com os acordos de comércio livre. Farrell defendeu que estas tarifas devem ser revogadas, uma vez que aumentam os custos e a incerteza para as empresas.

Na Nova Zelândia, o primeiro-ministro Christopher Luxon descreveu as tarifas como “extremamente dececionantes”, questionando a falta de “provas significativas” que sustentem as alegações de trabalho forçado. Luxon alertou que os direitos aduaneiros não são a solução para o problema, uma vez que apenas agravam a situação económica.

Dominic LeBlanc, ministro do Canadá, referiu que a medida tarifária não era inesperada e que o Canadá partilha o objetivo dos Estados Unidos de evitar que produtos feitos com trabalho forçado entrem na cadeia de abastecimento. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, indicou que o país está a intensificar as negociações com Washington para um acordo comercial abrangente, mas que está preparado para reagir caso as tarifas de 50% sobre produtos canadianos entrem em vigor.

O México, por sua vez, assegurou que conseguiu evitar a aplicação das novas tarifas, mantendo o tratamento preferencial para as suas exportações ao abrigo do tratado T-MEC. Apesar de estar incluído na lista de países afetados, cerca de 85% das exportações mexicanas continuam a entrar no mercado norte-americano sem tarifas.

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O Brasil foi um dos primeiros países a reagir, acusando os Estados Unidos de usar a luta contra o trabalho forçado como pretexto para uma política comercial protecionista. O governo brasileiro afirmou que a falta de um fundamento jurídico interno para justificar estas tarifas é evidente.

O Chile também se manifestou, afirmando que possui um “quadro institucional laboral sólido” e que irá negociar com os Estados Unidos para ser excluído da lista de países afetados. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chileno argumentou que a aplicação das tarifas não está em conformidade com os padrões estabelecidos.

As novas tarifas de 10% ou 12,5% afetam mais de 80 países e entram em vigor a partir das 00:01 da Costa Leste dos Estados Unidos. Estas tarifas resultam de 60 investigações individuais conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e visam garantir que produtos feitos com trabalho forçado não entrem no mercado norte-americano.

Leia também: O impacto das tarifas de Trump nas relações comerciais globais.

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Fonte: Sapo

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