A Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, afirmou hoje que Luís Neves, atual ministro da Administração Interna, está “a gerir o processo da melhor forma que sabe”. A declaração surge no contexto de um caso que envolve Neves e que, segundo a ministra, não afeta a confiança dos portugueses na Polícia Judiciária (PJ).
Questionada sobre se a situação em que Luís Neves está envolvido poderia prejudicar a credibilidade da PJ, a governante destacou que “todos os portugueses confiam na Polícia Judiciária”. Júdice sublinhou que a imagem da instituição deve-se também ao trabalho dos seus dirigentes anteriores, fazendo uma referência implícita a Neves.
“Não vamos esquecer que os portugueses reconhecem a qualidade da Polícia Judiciária e a ministra da Justiça não permitirá que essa confiança seja beliscada”, afirmou Rita Alarcão Júdice durante a cerimónia de encerramento do “Curso de Formação Inicial da Carreira de Guarda Prisional de 2025”, realizada em Caxias, Oeiras.
Em relação à demora nas explicações por parte de Luís Neves, a ministra defendeu que ele “está a gerir o processo da melhor forma que sabe e pode”. Júdice acrescentou que as instituições competentes estão a realizar as avaliações necessárias e que não se pronunciará sobre questões que estão a ser tratadas pela Justiça. “Não vou criticar ninguém por decidir falar quando tem todos os elementos reunidos”, reforçou.
Na sexta-feira, Luís Neves pediu respeito pelo seu trabalho e reiterou que, em breve, dará esclarecimentos sobre as obras realizadas na sua casa e sobre um atrelado encontrado na empresa do construtor que fez os trabalhos. O ministro está a reunir documentos que considera relevantes para esclarecer as polémicas que surgiram nas últimas semanas, relacionadas com as obras na sua propriedade em Odemira.
A Polícia Judiciária anunciou, a 17 de julho, a abertura de um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, que estava ligado a um camião da empresa Construbarcelos, responsável por obras na casa de Luís Neves. Nesse mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos no âmbito da “Operação Pacoba”.
A polémica teve início a 10 de julho, quando um semanário noticiou que Luís Neves contratou uma empresa que anteriormente realizara obras na PJ, quando ele era diretor nacional. Entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor que foi confirmado pelo próprio ministro em entrevista à TVI/CNN.
Na semana passada, a Câmara de Odemira anunciou que está a verificar a legalidade das obras realizadas na propriedade de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio. Em resposta a questões da agência Lusa, o município esclareceu que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras” nos imóveis localizados naquela freguesia.
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Fonte: ECO





