Profissionais de saúde devem ocupar o espaço digital

Num mundo onde um vídeo no TikTok pode alcançar milhares em poucas horas, enquanto uma consulta médica demora semanas a ser agendada, a batalha pela atenção do público em questões de saúde está claramente desequilibrada. Dados recentes revelam que 60% da população portuguesa entre os 16 e os 24 anos recorre à internet para pesquisar informações sobre saúde. Embora isso permita que os utentes assumam um papel mais ativo na sua saúde, a verdadeira preocupação reside na qualidade das informações disponíveis.

Um estudo sobre desinformação em saúde revelou que 88% das respostas geradas por chatbots eram falsas, mesmo que apresentassem referências e terminologia científica. Nas redes sociais, a situação não é muito diferente, com a proliferação de conteúdos curtos que, embora impactantes, frequentemente contêm informações incorretas ou perigosas. Este cenário levanta uma contradição: os profissionais de saúde que mais sabem são também os que menos se fazem ouvir. A quantidade de conteúdo de qualidade produzido por estes profissionais é diminuta em comparação com a desinformação em saúde que circula diariamente.

A Sociedade Americana de Psicologia (APA) aponta que a desinformação prospera nas redes sociais, onde não existem mecanismos de verificação da veracidade das informações, ao contrário dos meios de comunicação tradicionais. Fatores psicológicos e sociais, como a criação de conteúdos que geram emoções fortes, contribuem para a rápida disseminação de desinformação. Além disso, a novidade e o viés de confirmação levam as pessoas a partilhar informações que se alinham com as suas crenças, mesmo sem confirmação da sua veracidade.

As redes sociais desempenham um papel crucial na amplificação da desinformação em saúde. A prioridade dada a conteúdos que geram interações, muitas vezes desinformativos, resulta em bolhas de informação que dificultam o acesso a diferentes perspetivas. As consequências são visíveis, com uma crescente desconfiança nas instituições e na ciência, o que pode criar problemas de saúde pública, especialmente em temas como a vacinação.

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Para inverter este ciclo, é vital que os profissionais de saúde se tornem comunicadores ativos e agentes de prevenção da desinformação. A sua autoridade deve ser ouvida não apenas no espaço clínico, mas também no digital. Para isso, é necessário investir em formação em comunicação, capacitando os profissionais a transformar evidências científicas em mensagens claras e acessíveis.

Além disso, a criação de uma rede de embaixadores da saúde pode ajudar a produzir e difundir conteúdo científico de qualidade, antecipando temas vulneráveis à desinformação. Estes profissionais, apoiados pelas suas ordens e instituições, poderiam ter acesso a materiais de apoio e equipas de monitorização para identificar novas narrativas enganosas.

O fact-checking ativo também é crucial. Profissionais de saúde devem estar preparados para corrigir mitos em tempo real, de forma pedagógica. A colaboração com meios de comunicação e plataformas digitais pode amplificar estas correções.

Por último, é fundamental que a comunicação em saúde seja valorizada como parte integrante da missão dos profissionais, com reconhecimento nas suas carreiras e proteção contra ataques online. Para travar a desinformação em saúde, é essencial que os bons profissionais deixem de estar em silêncio e se façam ouvir nos espaços digitais onde a batalha pela verdade se trava atualmente.

Leia também: A importância da comunicação em saúde na era digital.

desinformação em saúde Nota: análise relacionada com desinformação em saúde.

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Fonte: Sapo

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