O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está em fase de execução, com momentos cruciais pela frente. Neste contexto, é fundamental questionar: o que estamos a construir para garantir um legado duradouro quando os fundos se esgotarem? Se Portugal fosse uma empresa, o PRR seria visto como um investimento estratégico. A pergunta que se colocaria seria: como podemos transformar este investimento em competitividade, melhores mercados e salários?
Para abordar estas questões, podemos utilizar o conceito do Metabolismo da Inovação, que explora como a inovação e a transformação de uma organização dependem de cinco dimensões interligadas: Alma (propósito), Visão (liderança e estratégia), Inteligência (estrutura e processos), Emoção (pessoas e cultura) e Ambição (inovação).
Se Portugal fosse uma empresa, a Alma seria a sua razão de ser. Antes de decidir o que fazer, seria crucial definir o porquê. O país precisa de um novo propósito, uma ideia que una todos em torno de um futuro comum. Proporia que Portugal se visse como um fornecedor de soluções humanas para um planeta em crise. Um propósito claro permitiria que cada euro do PRR fosse avaliado com um critério: aproxima-nos do papel que queremos desempenhar no mundo?
Transformar a Alma em Visão seria o próximo passo. Uma empresa responsável faz escolhas corajosas. Escolher não significa excluir talentos, mas sim concentrar esforços. Portugal deve identificar mercados concretos e elevar os salários, mantendo-se aberto ao mundo. O país deve ser uma plataforma que conecta sistemas, culturas e cadeias de valor, evitando a armadilha da autossuficiência. A liderança deve oferecer direcção e tempo, protegendo as escolhas certas da pressão política.
A Inteligência, por sua vez, seria medida pela capacidade de reduzir a fricção para quem cria valor. Processos claros, prazos respeitados e decisões rápidas são essenciais. Dados públicos devem ser tratados como uma infraestrutura acessível e previsível, acelerando o investimento e a inovação. Um Estado que regula de forma justa e imparcial aproxima universidades e empresas, inspirando a investigação e permitindo que o conhecimento regresse rapidamente ao mercado.
Investir na Emoção, que representa as pessoas e a cultura, é igualmente crucial. Se Portugal fosse uma empresa, haveria um investimento real nas pessoas, com tempo dedicado ao aprendizado e orçamentos claros para cada colaborador. Atraíriamos talento estrangeiro sem burocracias complicadas e cuidaríamos do talento nacional, oferecendo carreiras prestigiadas e programas de requalificação. A cultura organizacional seria uma consequência desse investimento, onde as pessoas se sentem valorizadas e a ambição se torna um hábito.
Por fim, Portugal não deveria ter vergonha de ter uma grande Ambição. Escolher problemas significativos e comprometer-se a resolvê-los de forma eficaz é fundamental. A Ambição implica transformar conhecimento em valor duradouro, garantindo que os produtos e serviços cumpram os padrões exigidos. É também uma questão de ritmo: decidir rapidamente, aprender em dias e melhorar continuamente.
O PRR representa uma oportunidade única. Não devemos esperar pelo fim para avaliar os resultados; devemos agir enquanto executamos. Cada decisão deve ser guiada pela Alma, focada na Visão, simplificada pela Inteligência, investindo nas pessoas para sustentar a Emoção e culminando numa Ambição que converta investimento em produtividade.
O futuro pós-PRR não é um capítulo distante, mas uma atitude presente. Em cada momento, devemos fazer três perguntas essenciais: que novas receitas trouxemos de fora? Que importações deixámos de precisar por termos melhorado a produção interna? Como garantimos que as nossas pessoas estão preparadas para novos desafios de competitividade?
Se Portugal fosse uma empresa, saberíamos o que fazer e começaríamos já.
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Fonte: Sapo





