No julgamento da Operação Marquês, uma ex-secretária de José Sócrates, Maria João Santos, admitiu que recebeu pagamentos em dinheiro por serviços prestados ao antigo primeiro-ministro. Segundo a testemunha, os pagamentos eram efetuados pelo motorista João Perna, que entregava o numerário diretamente na sua casa, em Azeitão, em 2013.
Maria João Santos esclareceu que nunca teve um contrato formal com Sócrates, afirmando que os pagamentos eram uma forma de ajuda pelos serviços de secretariado que prestava. “Se eu não tenho um contrato, no fundo ele está a dar-me uma ajuda pelos serviços que estou a prestar”, disse a ex-secretária durante o julgamento.
As entregas de dinheiro ocorreram apenas na residência de Santos, contrariando informações que indicavam que também teriam acontecido na sede do Partido Socialista, em Lisboa. Esta declaração surge no contexto de um processo que envolve 22 crimes, incluindo três de corrupção, pelos quais José Sócrates está pronunciado. O Ministério Público alega que o ex-primeiro-ministro recebeu dinheiro para favorecer grupos económicos, como o Grupo Lena e o Grupo Espírito Santo.
O caso, que já conta com 21 arguidos, tem gerado grande atenção mediática e continua a ser debatido em tribunal. João Perna, o motorista mencionado, também está entre os arguidos e enfrenta acusações de branqueamento de capitais. O julgamento, que começou a 3 de julho, está agendado para várias sessões até dezembro de 2025.
A Operação Marquês é um dos maiores processos de corrupção em Portugal e levanta questões sobre a transparência e a ética na política. À medida que o julgamento avança, mais detalhes sobre as práticas financeiras de figuras proeminentes da política portuguesa estão a ser revelados.
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Operação Marquês Operação Marquês Nota: análise relacionada com Operação Marquês.
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Fonte: Sapo





