Os Estados-membros da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo sobre as metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa até 2035. Este impasse levou os ministros do Ambiente a agendarem uma nova reunião para hoje, na esperança de avançar nas negociações.
Um porta-voz do Conselho da UE informou que as discussões continuaram durante a noite e que os ministros se reúnem novamente amanhã, às 09:00, hora local. A necessidade de um consenso unânime sobre a redução das emissões até 2035 é premente, uma vez que a ONU tem pressionado por esta meta há vários meses. Além disso, a UE precisa de uma aprovação por maioria qualificada para a sua lei climática que visa a redução das emissões até 2040.
A urgência das negociações é ainda maior devido à presença de líderes mundiais no Brasil, que se reunirão antes da Conferência das Nações Unidas para o Clima COP30, marcada para começar a 10 de novembro em Belém. A ministra da Transição Ecológica francesa, Monique Barbut, alertou que não alcançar um acordo sobre a meta de 2035 antes da cimeira seria um grande desastre diplomático para a Europa.
Um diplomata envolvido nas negociações reconheceu que as discussões são complicadas. A Dinamarca, que atualmente preside a UE, está a tentar persuadir a Itália, um dos países mais relutantes em aceitar as propostas. Até agora, os 27 Estados-membros não conseguiram aprovar a meta de redução de emissões em 90% até 2040, proposta pela Comissão Europeia, que já reportou uma redução de 37% em 2023.
O ministro alemão do Ambiente, Carsten Schneider, sublinhou a necessidade de uma decisão rápida. “Quero que os nossos chefes de Estado e de Governo vão para o Brasil com um mandato forte e uma liderança clara para a Europa”, afirmou. Países como Espanha, os escandinavos e a Alemanha apoiam a proposta, enquanto Hungria, Polónia, República Checa e Itália a consideram uma ameaça às suas indústrias.
A França, por sua vez, tem exigido garantias relacionadas à energia nuclear, financiamento para indústrias limpas e um “travão de emergência” para lidar com as incertezas sobre os reservatórios de carbono, especialmente com a deterioração das florestas na Europa. As negociações também estão a focar em medidas de flexibilidade, incluindo a possibilidade de adquirir créditos de carbono internacionais para financiar projetos fora da Europa.
Em julho, a Comissão Europeia sugeriu a inclusão de até 3% desses créditos na meta de redução de emissões de 90%. Contudo, vários países, incluindo Itália e França, exigem uma participação de 5% como condição para aceitar a meta de 2040. Além disso, alguns Estados estão a pedir uma revisão bienal da lei climática, permitindo ajustes caso as metas se revelem demasiado difíceis de alcançar.
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redução de emissões redução de emissões Nota: análise relacionada com redução de emissões.
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Fonte: Sapo





