O Ministério dos Transportes da República de Angola anunciou o lançamento do Concurso Público Internacional para a Concessão do Direito de Exploração, Gestão e Manutenção do Corredor do Namibe. As entidades interessadas têm até 4 de Maio de 2026 para apresentar as suas propostas. Esta concessão terá uma duração inicial de 30 anos, podendo ser prorrogada até 50 anos, e abrange a exploração, operação, manutenção e conservação da Linha Férrea de Moçâmedes–Menongue. O concurso inclui também a gestão de material circulante, infra-estruturas associadas, oficinas e um centro de formação.
Além disso, o Corredor do Namibe prevê a concepção e construção de novos troços, extensões e ramais, bem como ligações ferroviárias com a República da Namíbia e, futuramente, com a República da Zâmbia. Jorge Bengue, Secretário de Estado dos Transportes Terrestres, destacou que este processo representa uma oportunidade estratégica para operadores internacionais com experiência no sector ferroviário. O Corredor do Namibe tem o potencial de reforçar Angola como uma plataforma logística regional, promovendo novos investimentos e aumentando a competitividade das exportações.
O responsável sublinhou ainda que Angola tem vindo a implementar reformas estruturais que melhoraram a segurança jurídica e criaram um ambiente de negócios mais competitivo. O sucesso da concessão do Corredor do Lobito é um exemplo da capacidade do país em atrair investimento privado e modernizar as infra-estruturas de transporte.
As empresas interessadas, sejam individuais ou associações de concorrentes, devem ter experiência comprovada na gestão de infra-estruturas ferroviárias e operações de carga. Os requisitos técnicos e financeiros estão disponíveis nas peças do procedimento, que podem ser adquiridas mediante o pagamento de USD 20.000 ou o equivalente em kwanzas, de acordo com a taxa de câmbio do Banco Nacional de Angola.
O Corredor do Namibe, que integra o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes com uma extensão de 855 km e o Porto do Namibe, é um eixo logístico crucial para o escoamento de minérios, rochas ornamentais, produtos agrícolas e outros bens. Esta infra-estrutura tem uma capacidade teórica de até 5 milhões de toneladas por ano e serve como um ponto de ligação para países do interior da região, em articulação com os corredores do Lobito e de Walvis Bay.
Além disso, o Corredor do Namibe também contribui para o desenvolvimento turístico e a integração regional, reforçando a posição de Angola nas ligações entre o Atlântico e o Índico, e consolidando o país como um hub comercial relevante no contexto africano. Leia também: O impacto das infra-estruturas no crescimento económico de Angola.
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Fonte: Sapo





