Galp não troca dinheiro por valor na Namíbia após venda de ativos

A Galp anunciou esta terça-feira que “não troca dinheiro por valor” na Namíbia, após ter chegado a um acordo com a TotalEnergies para a venda de 40% do bloco PEL 83. Este negócio visa reduzir o risco financeiro da empresa. Maria João Carioca, co-CEO da Galp, destacou em conferência de imprensa que a prioridade era ter um operador com a capacidade de avançar rapidamente, alinhado com os objetivos da empresa e comprometido com o ritmo de execução.

A venda de ações da Galp na bolsa de Lisboa teve um impacto significativo, com mais de 11 milhões de ações a serem transacionadas, muito acima do volume médio de 1,59 milhões dos últimos três meses. Com este acordo, a TotalEnergies passa a deter 40% da área PEL 83, enquanto a Galp mantém uma participação de 40%. Além disso, a Galp possui 10% na PEL 56, onde se localiza o campo Venus, e 9,4% na PEL 91. A TotalEnergies será responsável pela operação da PEL 83 e cobrirá metade dos custos de investimento da Galp para a exploração e desenvolvimento do campo Mopane.

Maria João Carioca sublinhou que a TotalEnergies é um operador respeitado, com vasta experiência em águas ultra-profundas, e que a Galp se beneficia ao ter exposição aos dois maiores recursos descobertos na Namíbia, Venus e Mopane. A entrada de um parceiro no consórcio é uma estratégia para “reduzir a exposição financeira e o risco”, algo comum na indústria devido às elevadas necessidades de investimento que podem alcançar entre 10 a 12 mil milhões de euros antes que um poço comece a produzir petróleo.

João Diogo Silva, co-CEO da Galp, comentou sobre a venda massiva de ações, afirmando que a empresa tem uma “visão de longo prazo”. Ele reconheceu que o mercado pode estar a processar uma série de indicadores e que aqueles que esperavam benefícios imediatos podem estar menos entusiasmados. A UBS estimou que o negócio poderia ser fechado por cerca de 200 milhões de euros iniciais, além de três mil milhões em custos de projeto que seriam cobertos pela TotalEnergies.

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O acordo ainda precisa da aprovação do Governo da Namíbia, das entidades reguladoras e dos parceiros, com a expectativa de ser finalizado até 2026. A Galp prevê que a produção na área de Venus possa iniciar até 2030, enquanto a produção em Mopane deverá começar dois a três anos depois.

A bacia de Orange, localizada ao largo da Namíbia, tem atraído crescente atenção devido ao seu potencial. A Galp já revelou que a área de Mopane pode conter até 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo, o que, se confirmado, poderá ser uma das maiores descobertas de petróleo na última década.

A TotalEnergies está a negociar com as autoridades da Namíbia para desenvolver a área de Venus, que exigirá um investimento de 11 mil milhões de dólares para a construção de uma plataforma com capacidade para extrair 160 mil barris diários. A Galp tem realizado extensos trabalhos de avaliação na Namíbia desde 2012, incluindo levantamentos sísmicos 3D e perfurações que levaram à descoberta de Mopane.

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Fonte: Sapo

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