Powell evita política na reunião da Fed após investigação

Na primeira reunião do ano da Reserva Federal dos Estados Unidos, o presidente Jerome Powell optou por não se envolver em questões políticas, mesmo após a investigação do Departamento de Justiça. Durante a conferência de imprensa, Powell reafirmou a importância da independência dos bancos centrais e destacou que a economia norte-americana está a mostrar sinais de recuperação.

A reunião, que se realizou esta quarta-feira, decidiu manter as taxas de juro inalteradas entre 3,5% e 3,75%. Powell, questionado sobre a pressão política que enfrenta, remeteu para um comunicado anterior, onde já tinha expressado a sua preocupação com a influência política nas decisões da Fed. “Não tenho nada a dizer”, repetiu várias vezes, enfatizando que o foco deveria ser a política monetária.

Powell sublinhou que as economias avançadas e democráticas têm uma prática comum de garantir que a política monetária não seja influenciada por legisladores eleitos, especialmente em períodos eleitorais. Esta afirmação surge num contexto de tensão entre o poder executivo e o banco central, especialmente após os ataques do presidente Trump, que questionou a competência de Powell.

Além disso, Powell fez referência à sua presença no Supremo Tribunal, onde está a ser discutido o caso de Lisa Cook, uma membro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) que foi afastada por Trump. O presidente da Fed considerou este caso como “o mais importante da história de 113 anos da Reserva Federal”, justificando a sua presença como essencial.

No que diz respeito à economia, Powell afirmou que a atividade económica tem “melhorado claramente” desde a última reunião em dezembro. Embora a decisão de manter as taxas inalteradas não tenha sido unânime, houve um “amplo apoio” entre os membros do FOMC, incluindo aqueles que não votaram.

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Apesar da incerteza que persiste, Powell acredita que a Fed está bem posicionada para lidar com os desafios futuros. A inflação, que se encontra acima do objetivo, é atribuída principalmente às tarifas, o que é considerado uma boa notícia. Powell espera que o impacto das tarifas nos preços atinja um pico e comece a diminuir, desde que não haja novas tarifas significativas.

“A expectativa é que vejamos uma desinflação ao longo deste ano, e isso poderá influenciar as nossas decisões sobre cortes nas taxas”, concluiu Powell.

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Fonte: Sapo

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