Gás natural do Ártico pode abastecer a Europa e aumentar a independência

O gás natural do Ártico apresenta-se como uma solução promissora para abastecer a Europa e aumentar a sua independência energética em relação a fornecedores externos. A Comissão Europeia está a rever a sua política para esta região e abriu uma consulta pública que estará disponível até meados de março.

O mar que compõe esta área pertence ao Oceano Ártico e banha as costas da Noruega e da Rússia. Embora nenhum estado-membro da União Europeia tenha jurisdição sobre estas águas, a intenção é facilitar as exigências para a compra de gás à Noruega. Segundo uma análise da consultora Rystad, a revisão da política da UE pode manter o gás do Mar de Barents como uma opção viável até 2030, oferecendo à Europa um fornecimento mais próximo e com menores emissões, uma vez que o transporte seria menos longo.

A Noruega tem sido um fornecedor fundamental para a Europa, especialmente na substituição do gás russo. O gás norueguês é considerado mais fiável e com um impacto ambiental menor, respeitando também os direitos humanos. Em 2024, a Noruega foi o principal fornecedor de gás por pipeline para a UE, enquanto os Estados Unidos lideraram as exportações de gás por navio.

Em 2024, a União Europeia consumiu quase 13 milhões de terajoules de gás natural, embora o consumo tenha diminuído desde a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os projetos de exploração no Ártico requerem entre 5 a 10 anos desde a descoberta até à produção estável. A Rystad sublinha que a forma como a UE se posicionar será “determinante” para garantir volumes adicionais de gás da Noruega e evitar uma dependência excessiva dos mercados globais na próxima década.

A consultora acredita que a Noruega pode abastecer entre 20% a 30% do gás consumido na Europa até 2050. Durante este período, espera-se um aumento de 30% a 50% no consumo de gás natural liquefeito (GNL) na Europa, o que poderá aumentar a exposição da região aos mercados internacionais.

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A razão pela qual a Europa está a abordar esta questão é clara: se a UE simplificar as exigências ambientais para o gás do Ártico, poderá influenciar a avaliação das opções de abastecimento na próxima década. No entanto, existem desafios a enfrentar. Apesar do potencial promissor, com 3,5 mil milhões de barris diários de gás disponíveis e a possibilidade de adicionar mais 2,25 mil milhões até 2050, o sucesso dependerá de novas descobertas e da capacidade de exportação.

Em termos de infraestrutura, a transformação do gás em líquido para exportação é feita no centro de Hammerfest, que ainda depende do campo de Snohvit, limitando a flexibilidade para absorver novos volumes. Uma alternativa seria integrar o gás na rede norueguesa para ser processado em outras instalações, mas isso requer coordenação e financiamento.

A mudança nas regras pode permitir que a UE mantenha opções de abastecimento a curto prazo sem comprometer as metas ambientais. As emissões serão um ponto focal, mas a Rystad argumenta que a exploração de petróleo na Noruega é uma das menos poluentes do mundo, e o gás transportado por pipeline tem as menores emissões.

No campo de Snohvit, o dióxido de carbono (CO2) gerado é injetado de volta no mar, e há planos para eletrificar a infraestrutura de Hammerfest, contribuindo para a redução das emissões. A consultora não prevê que a UE abra totalmente as portas, mas a possibilidade de permitir a exploração em algumas regiões é viável, desde que sejam estabelecidos limites para proteger ecossistemas e coordenar com as comunidades locais, como os Sami. A Rystad sugere a implementação de metas realistas de descarbonização para os projetos relacionados com o gás natural do Ártico.

Leia também: O futuro do gás natural na Europa e as suas implicações.

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Fonte: Sapo

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