Na passada quinta-feira, a União Europeia (UE) e Angola firmaram um compromisso para fortalecer as suas relações bilaterais, com especial atenção ao desenvolvimento do Corredor do Lobito. Este acordo foi formalizado numa declaração conjunta após um encontro em Bruxelas entre o ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António, e o seu homólogo belga, Maxime Prévot, que representou a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas.
A declaração destaca a intenção de aumentar a cooperação bilateral, com ênfase nas relações comerciais, investimentos e colaboração em fóruns multilaterais. O Corredor do Lobito foi identificado como um eixo estruturante para a industrialização tanto a nível nacional como regional. As duas partes sublinharam que a parceria com a UE é crucial para proporcionar os recursos financeiros, tecnológicos e logísticos necessários para maximizar o potencial deste projeto.
Este corredor ferroviário, que liga o Porto do Lobito à República Democrática do Congo e à Zâmbia, é vital para a exportação de recursos minerais e para a transformação económica das regiões circundantes. O investimento europeu no Corredor do Lobito já ultrapassa os dois mil milhões de euros, e a UE e Angola enfatizam a importância de envolver todas as partes interessadas, incluindo entidades públicas, o setor privado e organizações da sociedade civil.
Para apoiar este processo inclusivo, a UE destinou 10 milhões de euros para fortalecer as capacidades das organizações da sociedade civil que operam ao longo do Corredor do Lobito. Além do foco económico, as duas partes concordaram na necessidade de um diálogo político reforçado, visando a paz e a segurança na região.
A declaração também aborda a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o objetivo de torná-lo mais eficaz e representativo das realidades atuais. Bruxelas e Luanda manifestaram uma posição comum em relação à guerra na Ucrânia, reiterando o apoio à soberania e integridade territorial do país.
Ambas as partes reconheceram o impacto humanitário da guerra e reafirmaram o seu apoio a iniciativas que visem uma paz duradoura na Ucrânia, em conformidade com a Carta das Nações Unidas. A UE elogiou ainda o papel de Angola na promoção da paz e segurança, destacando a sua contribuição nas negociações entre a República Democrática do Congo e o Ruanda.
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Fonte: ECO





