Um recente estudo, o “Global Investment Returns Yearbook 2026”, elaborado por professores da Cambridge e da London Business School para o banco suíço UBS, revela que as ações em Portugal têm apresentado um desempenho insatisfatório em comparação com as obrigações. Nos últimos 20 anos, de 2006 a 2025, as ações nacionais renderam apenas 1,8% ao ano em termos reais, enquanto as obrigações do Estado português superaram este valor, com um rendimento médio de 2,5% ao ano. Esta diferença, embora pequena em termos percentuais, acumula-se de forma significativa ao longo das duas décadas, tornando Portugal uma exceção entre os 35 países analisados.
A análise de longo prazo, que abrange dados desde 1900, revela outra anomalia: Portugal é o único país entre os 21 mercados estudados onde as obrigações não superaram os Bilhetes do Tesouro, que são considerados uma referência para depósitos de curto prazo. Globalmente, as ações renderam 5,6% ao ano no mesmo período, enquanto as obrigações apenas 1,3%. Esta discrepância de 4,3 pontos percentuais destaca a fragilidade do mercado acionista português.
Comparando com o desempenho europeu, as ações na Europa valorizaram 3,7% ao ano entre 2006 e 2025, enquanto as obrigações do bloco registaram uma rendibilidade negativa de -0,4% ao ano. Mesmo com um desempenho histórico inferior à média mundial, a Europa ainda supera Portugal, que continua a lutar com um mercado acionista pequeno e concentrado em setores como energia, banca e telecomunicações.
O fraco desempenho das ações em Portugal pode ser atribuído a uma combinação de fatores estruturais e crises económicas. A crise do subprime em 2008 e a crise da dívida soberana europeia em 2011-2012 abalaram a confiança dos investidores. A concentração do mercado em poucos setores e a falta de diversificação têm limitado as oportunidades de crescimento.
O relatório do UBS sugere que a diversificação geográfica é essencial para os investidores. Aqueles que apostaram em ações globais em vez de se limitarem ao mercado nacional conseguiram melhorar significativamente o rácio entre rendibilidade e risco das suas carteiras. Para o investidor português, isso significa que a exposição a índices globais, como o MSCI World ou o S&P 500, teria proporcionado um desempenho muito superior ao que foi obtido investindo apenas no PSI.
Em suma, o estudo reforça a ideia de que, apesar das dificuldades do mercado acionista em Portugal, as ações continuam a ser um ativo central para a criação de riqueza a longo prazo. Contudo, para que cumpram esse papel, os investidores devem considerar uma abordagem mais diversificada, olhando para além das fronteiras nacionais. Leia também: “Como diversificar a sua carteira de investimentos”.
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Fonte: ECO





