A Baloise, prestadora de serviços financeiros, anunciou um crescimento significativo de 60% no mercado português em 2025, tornando-se o segundo maior mercado da empresa, apenas atrás de França. A carteira de investimentos da Baloise em Portugal ultrapassou os três mil milhões de euros, representando 25% da produção total da empresa.
Em entrevista ao Jornal Económico, João Marmelo, country manager da Baloise Portugal, explicou como o perfil dos investidores tem mudado. Se antes a maioria dos clientes eram portugueses, agora a empresa tem atraído um número crescente de investidores estrangeiros, incluindo franceses, belgas, suíços, alemães e espanhóis. Recentemente, os norte-americanos e brasileiros também têm mostrado interesse em estabelecer-se em Portugal.
Marmelo destacou que muitos destes investidores estrangeiros procuram em Portugal um estilo de vida que combina custo acessível, segurança e um bom sistema de saúde. “Portugal é um ponto central para viajar para vários locais, como os Estados Unidos, Brasil e Ásia”, afirmou.
A mudança no perfil de investidor também se deve ao regime de residentes não habituais, que, embora tenha terminado em 2024, deixou um legado de maior diversidade na clientela da Baloise. Marmelo observou que a instabilidade política nos Estados Unidos, especialmente durante a presidência de Donald Trump, levou muitos a procurar segurança na Europa.
Os norte-americanos, em particular, têm demonstrado preocupação em manter os seus investimentos nos Estados Unidos, o que os leva a diversificar as suas carteiras. “Estão a procurar alternativas fora do país”, sublinhou o responsável da Baloise.
Relativamente às recentes alterações na tributação das mais-valias, João Marmelo considera que estas foram positivas. O novo regime permite uma redução da carga fiscal consoante o tempo de detenção dos ativos, o que pode incentivar os investidores a optar por ações em vez de depósitos a prazo. “Os depósitos são ótimos para quem não quer perder dinheiro, mas a longo prazo, o valor vai diminuindo”, alertou.
Marmelo também comentou as diferenças entre os investidores portugueses e norte-americanos. Enquanto os norte-americanos tendem a ter carteiras com uma alta percentagem em ações, os portugueses são geralmente mais conservadores. Contudo, ele notou uma mudança nas gerações mais jovens, que estão a adoptar uma abordagem mais dinâmica e arriscada nos seus investimentos.
A presença crescente de investidores brasileiros em Portugal pode também transformar o tecido empresarial do país. Marmelo mencionou que muitas famílias ricas do Brasil já residem em Portugal e estão a adquirir negócios, especialmente no setor imobiliário. “Num horizonte de 20 a 30 anos, podemos ver uma classe empresarial brasileira a emergir em Portugal”, previu.
João Marmelo concluiu que a instabilidade global pode ser uma oportunidade para Portugal atrair mais investidores, pois muitos procuram países com segurança e qualidade de vida. No entanto, ele alertou que ainda há desafios a superar, especialmente em termos de burocracia. “Outros países, como Espanha e Itália, têm processos mais ágeis que atraem investidores”, afirmou.
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Fonte: Sapo





