O Conselho de Administração da Lusa manifestou que “tomou boa nota” da posição dos trabalhadores e seus representantes em relação ao novo modelo de governação implementado pelo acionista Estado. Este modelo visa aumentar o escrutínio sobre as decisões da administração da agência de notícias.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, o CA da Lusa reconheceu as preocupações expressas pelos delegados sindicais e pela Comissão de Trabalhadores, que têm sido debatidas em plenários e manifestações recentes. O primeiro ponto destacado foi a importância do novo modelo de governação, que, segundo a administração, tem como objetivo principal garantir maior transparência nas decisões.
A administração recordou que, durante décadas, a Lusa esteve sujeita a uma dependência significativa dos governos e de representantes de media privados que ocupavam lugares na administração. A situação alterou-se no final do ano passado, com o Estado a assumir o controlo total das ações da agência, o que, segundo o CA, é um passo importante para a autonomia da Lusa.
Os novos estatutos da Lusa, conforme sublinhado pela administração, serão analisados por várias instâncias, e não se prevê qualquer intromissão na área editorial por parte da Assembleia da República ou de outros órgãos de soberania. “Isso não seria tolerado”, garantiram os membros do CA.
Além disso, a administração expressou a sua abertura para explorar sinergias com a RTP e a RDP, com o objetivo de utilizar infraestruturas comuns, tanto a nível nacional como internacional. Contudo, foi enfatizado que não está em discussão qualquer fusão entre as empresas. “Defendemos a identidade e o valor da Lusa”, afirmaram os responsáveis.
A administração também se comprometeu a dignificar as condições de trabalho dos correspondentes regionais e dos delegados internacionais. Desde o período da “troika”, muitos trabalhadores das delegações não têm um local de trabalho atribuído, e estão a ser avaliadas parcerias com várias entidades, incluindo a RTP.
O CA da Lusa, que celebra este ano 40 anos de existência, destacou a importância de manter a agência como uma referência no setor dos media, garantindo isenção, credibilidade e rigor. A nova administração, que tomou posse no início do mês, está focada na elaboração de um plano estratégico para os próximos quatro anos, que incluirá a avaliação de recursos e incentivos para os trabalhadores.
Os trabalhadores da Lusa manifestar-se-ão esta quinta-feira em Lisboa e no Porto, exigindo uma agência livre, independente e respeitada. As preocupações centram-se na reestruturação da empresa, no novo modelo de governação e nas condições de trabalho, que geram incertezas sobre o futuro da Lusa.
As Comissões de Trabalhadores da RTP e da Lusa também expressaram preocupações sobre a falta de transparência do Governo nas políticas públicas que afetam ambas as empresas. Em uma tomada de posição conjunta, alertaram que a possível junção das sedes pode comprometer a identidade de cada órgão de comunicação social.
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Fonte: ECO





