O recente despacho do Reitor da Universidade Nova de Lisboa, que exige que as unidades orgânicas utilizem designações em português, levantou um importante debate sobre o futuro das universidades portuguesas. Estas instituições de ensino superior não devem limitar-se a uma única missão, como a formação de quadros para a administração pública ou empresas nacionais. É crucial que as universidades portuguesas se abram ao mundo globalizado e digital, adaptando-se às novas realidades que enfrentamos.
Com a diminuição da natalidade em Portugal, as universidades não podem restringir o seu alcance. Pelo contrário, devem diversificar os seus públicos e atrair estudantes internacionais altamente qualificados. A investigação realizada nas universidades não deve focar-se apenas na realidade portuguesa ou lusófona, mas também abordar questões transnacionais, integrando-se em redes de colaboração internacional.
As universidades portuguesas devem competir não só a nível interno, mas também ambicionar destacar-se no panorama internacional. Para isso, é fundamental que participem no diálogo científico global, utilizando a língua inglesa, que se tornou a língua franca da academia. A autonomia das instituições de ensino superior é igualmente uma questão central. A capacidade de inovação é muitas vezes limitada por regras legais excessivamente rígidas e por um sistema de acreditação que não favorece a diversidade.
Um exemplo positivo é a NOVA SBE, que tem demonstrado como as universidades portuguesas podem ganhar relevância a nível global, atraindo académicos e estudantes internacionais, além de financiamento privado. Este modelo contribui para a formação de profissionais com impacto no futuro do país.
Outro exemplo é a Universidade Católica, que há 20 anos oferece programas em inglês para estudantes internacionais. A Católica Global School of Law, criada em 2009, tem conseguido atrair académicos de renome e estabelecer parcerias internacionais, tornando-se uma referência no ensino do direito. Apesar de focar na internacionalização, a Católica não abandonou o ensino do direito em português, mantendo um forte compromisso com a formação local.
Outras instituições, como a NOVA School of Law e o ISCTE, também têm seguido este caminho de internacionalização. O valor do ecossistema de ensino superior português reside na qualidade e diversidade das suas instituições, na capacidade de atrair talento e financiamento, e na adaptação às mudanças globais.
A crescente presença da inteligência artificial na sociedade representa um desafio significativo para o ensino superior e a investigação. Neste contexto, é essencial que as universidades portuguesas reinventem-se, preservando os casos de sucesso que têm contribuído para o desenvolvimento do país.
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Fonte: ECO





