Equipas comunitárias de saúde mental poupam milhões ao SNS

Em 2023, cinco equipas comunitárias de saúde mental conseguiram reduzir os internamentos em mais de 26% e geraram uma poupança anual estimada entre 2,3 a 2,6 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os dados foram revelados pela Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, que apresentará os resultados em Lisboa.

O estudo, que analisou cinco das 40 equipas comunitárias financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mostra que o trabalho destes profissionais permitiu uma diminuição de mais de 30% nos dias de internamento e 46,7% nos reinternamentos. Em 2022, já se tinha verificado uma redução de 28,4% no número total de internamentos.

Em termos económicos, o retorno sobre o investimento foi de 12,90 euros por cada euro aplicado em 2022, subindo para 14,50 euros em 2023. As poupanças anuais geradas por estas cinco equipas são suficientes para financiar entre 11 a 13 novas equipas comunitárias de saúde mental.

Miguel Xavier, coordenador nacional das políticas de saúde mental, sublinhou que “o retorno oferecido é absolutamente avassalador”. Ele destacou a importância de garantir a continuidade destas equipas e a cobertura de todo o território nacional. Cada equipa de saúde mental tem um custo aproximado de 170 mil euros por ano, e Xavier defendeu que é essencial reforçar as equipas existentes, que muitas vezes não estão completas.

Atualmente, existem cerca de 100 equipas comunitárias de saúde mental em Portugal, mas muitas delas ainda carecem de recursos. “Os resultados só se conseguem com equipas completas. Isto é mesmo um trabalho de equipa”, afirmou Xavier. Um dos fatores que contribui para o sucesso das equipas é a disponibilização de transporte, uma vez que cada equipa do PRR recebeu um carro para facilitar o acesso às casas dos utentes.

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Além disso, está em curso um concurso de um milhão de euros para fornecer carros às equipas que não foram financiadas pelo PRR. O impacto das equipas comunitárias de saúde mental vai além dos números, promovendo a proximidade e a continuidade dos cuidados, ao mesmo tempo que reduz desigualdades no acesso à saúde.

As 40 equipas financiadas pelo PRR prestam cuidados de saúde mental a populações entre 50.000 a 100.000 habitantes, em colaboração com os cuidados de saúde primários e outros parceiros sociais. A intervenção destas equipas também tem um impacto ambiental positivo, com uma redução estimada de 25 a 34 toneladas de resíduos hospitalares por ano, resultante da diminuição dos dias de internamento.

Os resultados deste estudo serão apresentados hoje, no Dia Mundial da Saúde Mental, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Leia também: a importância das equipas de saúde mental na comunidade.

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Fonte: Sapo

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