Consórcio Atlantic Connect Group exige assunção do passivo da Azores Airlines

O empresário Carlos Tavares, do consórcio Atlantic Connect Group, afirmou que a compra da Azores Airlines está condicionada à assunção do passivo pela região, considerando esta condição essencial para o negócio. Em entrevista à Lusa, Tavares sublinhou que, sem essa garantia, não haverá acordo.

“A empresa está tecnicamente falida, e aqueles que tentam reestruturar a companhia não podem ser penalizados por um passado que não é da sua responsabilidade”, destacou Tavares, referindo-se aos esforços do consórcio para revitalizar a companhia aérea.

O consórcio Atlantic Connect Group apresentou, em novembro de 2025, uma proposta de 17 milhões de euros para adquirir 85% do capital social da Azores Airlines. Contudo, o Governo dos Açores solicitou uma prorrogação do prazo para a privatização da companhia até ao final de 2026, pedido que foi aceito pela Comissão Europeia.

Recentemente, o júri responsável pela privatização da Azores Airlines anunciou a intenção de rejeitar a proposta do consórcio, a única admitida no concurso, por considerar que não protege os interesses da SATA e da região. “A proposta não cumpre os requisitos definidos e não salvaguarda os interesses patrimoniais da SATA Holding e da Região Autónoma dos Açores”, pode ler-se numa nota de imprensa.

Carlos Tavares reconheceu a soberania do júri na sua decisão, mas criticou a burocracia que tem marcado o processo de privatização ao longo dos anos. O CEO do consórcio destacou que a Azores Airlines tem sobrevivido graças a ajudas de Estado, uma vez que o Governo não deseja fechar a companhia. No entanto, Tavares alertou que qualquer comprador não pode assumir a dívida existente.

“É fundamental que a questão do passivo seja resolvida. O preço já foi imposto, mas contratos ineficientes devem ser responsabilidade do vendedor”, frisou Tavares. Em resposta às críticas sobre a proposta não salvaguardar os interesses da SATA Holding, o empresário afirmou que a proposta foi elaborada para proteger os interesses do consórcio.

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Tavares também mencionou que, se houver uma solução melhor para resolver a situação da Azores Airlines, deve ser bem-vinda. “Se a SATA Holding optar por uma venda direta, tem o poder para fazê-lo”, acrescentou.

O consórcio Atlantic Connect Group recebeu recentemente uma nova versão do relatório do júri sobre a proposta de privatização, tendo agora 10 dias para apresentar o seu contraditório, uma vez que o relatório é preliminar. Em junho de 2022, a Comissão Europeia já tinha aprovado uma ajuda estatal de 453,25 milhões de euros para a reestruturação da Azores Airlines, prevendo medidas como reorganização estrutural e desinvestimento.

Leia também: O futuro da Azores Airlines em análise.

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Fonte: ECO

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