O Estreito de Ormuz é um ponto crucial para a economia global, ligando o Golfo Pérsico ao Mar Arábico. Com apenas 34 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito, este corredor marítimo é vital para o transporte de petróleo e gás natural, representando cerca de 20% do comércio mundial de energia. No norte, encontramos o Irão, enquanto Omã e os Emirados Árabes Unidos se situam a sul.
A importância do Estreito de Ormuz é evidente em números. Segundo a Energy Information Administration, em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo circularão diariamente por esta via. Este fluxo não se limita ao petróleo iraniano; países como Iraque, Kuwait, Catar e Arábia Saudita dependem do estreito para as suas exportações energéticas. Qualquer perturbação nesta rota tem repercussões imediatas nos mercados globais. Recentes ataques a petroleiros provocaram um aumento significativo no preço do Brent, que ultrapassou os 80 dólares por barril, evidenciando a fragilidade do equilíbrio energético mundial.
Historicamente, o Estreito de Ormuz já foi controlado por Portugal, quando Afonso de Albuquerque conquistou a ilha de Ormuz em 1515. Durante mais de um século, Portugal dominou o comércio na região, cobrando taxas sobre os navios que passavam. Contudo, esse domínio terminou em 1622, quando forças persas, com apoio inglês, expulsaram os portugueses. Hoje, cinco séculos depois, o estreito continua a ser um ponto estratégico, sempre sob a influência da geopolítica, mas agora nas mãos do Irão.
O Irão tem a capacidade de tornar o estreito inoperável sem precisar de o fechar fisicamente. Especialistas militares apontam três métodos principais: a colocação de minas navais, ataques com mísseis a navios comerciais e assédio por forças da Guarda Revolucionária Iraniana. A tensão aumentou após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, levando a uma situação em que o controlo do estreito é um instrumento de influência de Teerão.
Recentemente, o exército iraniano anunciou que o controlo do estreito voltará a ser rigoroso, a menos que os Estados Unidos restabeleçam a liberdade de navegação. Esta situação tem um impacto direto no fluxo de petróleo e gás, resultando em aumentos acentuados nos preços globais dos combustíveis.
Os países do Golfo tentam reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, mas enfrentam limitações. A Arábia Saudita possui um oleoduto que liga os campos petrolíferos ao Mar Vermelho, com capacidade para cinco milhões de barris por dia, mas ainda assim não é suficiente para cobrir o volume total exportado. Os Emirados Árabes Unidos também construíram uma ligação ao porto de Fujairah, capaz de escoar 1,5 milhões de barris diários, mas as alternativas ainda são limitadas.
Além disso, as rotas marítimas alternativas implicam desvios e aumentos no tempo de viagem. Por exemplo, o transporte de petróleo através do Canal de Suez pode adicionar entre dois a cinco dias às ligações ao mercado europeu. Se essa via estiver congestionada, os navios podem ser forçados a contornar África, o que pode aumentar o tempo de viagem em até 20 dias.
Em suma, nenhuma destas alternativas consegue substituir a eficiência do Estreito de Ormuz. O impacto de um bloqueio total não se traduz apenas em menos petróleo disponível, mas também em custos de transporte mais elevados e, consequentemente, em preços mais altos para os consumidores. A economia global permanece, assim, à mercê da situação geopolítica nesta região crítica.
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Fonte: Sapo





