Na sessão solene que assinalou o 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, o deputado do PCP, Alfredo Maia, fez duras críticas aos saudosistas do Estado Novo, acusando-os de tentarem promover um “ajuste de contas” com a Revolução e as suas conquistas. O parlamentar começou o seu discurso homenageando os “incontáveis milhares de resistentes antifascistas” e os “combatentes dos movimentos de libertação nas colónias”, destacando as vítimas das torturas e prisões perpetradas pela PIDE/DGS.
Alfredo Maia recordou que, no dia da Revolução, Portugal era um país marcado pela pobreza e pela repressão. “Não era apenas economicamente atrasado, mas também culturalmente tolhido pela censura e pelo analfabetismo”, afirmou, referindo-se à brutalidade da ditadura fascista que alguns ainda evocam com saudade. Para o deputado, aqueles que olham para o Estado Novo com nostalgia são os que não aceitam as mudanças trazidas pelo 25 de Abril e que tentam impor uma “narrativa revanchista”.
O deputado sublinhou que as conquistas da Revolução, como o direito à greve e o fim da guerra, são momentos que não podem ser apagados por “mistificações ou falsificações”. Ele alertou para a intenção de “grupos monopolistas e forças reacionárias” que, segundo ele, tentam travar os avanços conquistados em Abril através de boicotes económicos e violência. Maia mencionou que, nos últimos anos, foram reportados cerca de seiscentos ataques violentos por parte de organizações de extrema-direita contra partidos de esquerda e sindicatos.
Apesar da aprovação da “Constituição mais democrática da Europa” em 1976, o deputado criticou as políticas de direita que, ao longo de cinco décadas, desmantelaram serviços públicos e submeteram a soberania nacional a interesses estrangeiros. Segundo ele, o atual pacote laboral é um exemplo claro de como se pretende esmagar os direitos dos trabalhadores, algo que a classe trabalhadora tem rejeitado de forma contundente.
Alfredo Maia defendeu a necessidade de “retomar o rumo” de Abril, enfatizando a importância de travar a revisão da lei laboral e de enfrentar o aumento do custo de vida. Ele concluiu que é essencial rejeitar o militarismo e a guerra, reafirmando o compromisso do PCP com as conquistas do 25 de Abril.
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25 de Abril 25 de Abril Nota: análise relacionada com 25 de Abril.
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Fonte: Sapo





