O risco climático em Portugal: desafios e soluções

O debate sobre o risco climático em Portugal tem sido marcado por uma ideia sedutora, mas enganadora: a falta de dinheiro é o principal problema. Na verdade, a questão é mais complexa e está relacionada com as decisões públicas e privadas que moldam o nosso dia a dia. Fala-se frequentemente em milhões de euros para a adaptação às alterações climáticas, em fundos europeus e na criação de um fundo de catástrofes que permita uma resposta mais rápida a eventos extremos. Contudo, a realidade é que o risco acumulado é muito maior do que os investimentos realizados.

O setor segurador em Portugal não é um salvador, mas sim um árbitro silencioso que traduz risco em prémios. Quando o risco aumenta, os prémios também sobem. Este mecanismo é um reflexo do estado do nosso território, que enfrenta incêndios florestais, cheias urbanas e erosão costeira. Enquanto os municípios aprovam planos diretores e o Estado delineia estratégias de adaptação, o mercado segurador reduz tudo a números. Quando o risco se torna incontrolável, a capacidade de cobertura diminui, e em alguns casos, desaparece.

O aumento dos prémios em áreas vulneráveis não é uma falha do sistema, mas sim o seu funcionamento normal. Cada aumento de franquias ou limitação de cobertura é um sinal claro de que estamos a subinvestir em prevenção e adaptação. A discussão sobre um fundo de catástrofes é relevante, mas deve ser abordada com cautela. Um fundo mal estruturado pode criar a ilusão de proteção, enquanto o risco permanece.

É fundamental perceber que o seguro e um fundo de catástrofes não são instrumentos de proteção social. Ambos têm o papel de disciplinar e transferir risco, revelando o seu custo. Quando as áreas urbanas continuam a expandir-se em zonas de cheia ou a gestão florestal não é eficaz, o problema não é financeiro, mas sim de política pública. Qualquer mecanismo que absorva perdas sem alterar comportamentos apenas adia o problema.

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A verdadeira questão em Portugal deve ser como alinhar incentivos para reduzir o risco desde o início. Sem esse alinhamento, qualquer aumento na proteção pode perpetuar comportamentos que aumentam a vulnerabilidade. Os episódios de incêndios e cheias demonstram que, apesar de melhorias na resposta, falhamos na antecipação. Um fundo de catástrofes pode aumentar a eficiência na recuperação, mas isso não significa que o risco diminua.

Se não houver uma ligação direta entre o preço do risco e o comportamento que o gera, os sistemas financeiro e segurador em Portugal podem deixar de ser parte da solução. O fenómeno da “insegurabilidade” ainda não é generalizado, mas já se começam a notar sinais. Quando o seguro se torna mais difícil de obter, o financiamento também se torna mais complicado.

Um fundo de catástrofes pode ser uma rede de segurança, mas não substitui a infraestrutura preventiva necessária. Um sistema onde o risco cresce mais rapidamente do que a capacidade de absorvê-lo gera tensões financeiras. O seguro não deve ser visto apenas como uma indemnização após um desastre, mas como uma ferramenta que influencia decisões antes de serem tomadas.

Aceitar o preço do risco em Portugal implica enfrentar consequências difíceis, como a limitação de construções em áreas vulneráveis e a necessidade de investimento em prevenção. Ignorar esse preço não o elimina, apenas o transfere para o futuro, muitas vezes para as gerações seguintes.

O setor segurador e um fundo de catástrofes não resolverão sozinhos a vulnerabilidade climática de Portugal. No entanto, se forem bem estruturados, podem refletir o custo real das nossas escolhas coletivas. O custo do risco não espera por consensos ou decisões políticas, e está a aumentar rapidamente.

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Fonte: ECO

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