Cerebras estreia em bolsa com valorização de quase 70% em ações

A Cerebras Systems, uma empresa norte-americana especializada na produção de chips de inteligência artificial (IA), fez a sua estreia na bolsa na passada quinta-feira, 14 de maio. Este evento não foi apenas mais uma entrada no mercado, mas sim uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPO) de uma empresa tecnológica nos últimos anos. As ações da Cerebras dispararam quase 70% no primeiro dia de negociação, refletindo a enorme expectativa em torno do setor da inteligência artificial.

Fundada em 2015 na Califórnia, a Cerebras ganhou notoriedade por desenvolver alguns dos chips de IA mais poderosos do mundo, conhecidos como Wafer-Scale Engines. Diferentemente dos processadores tradicionais, os chips da Cerebras ocupam praticamente uma placa inteira de silício, permitindo velocidades superiores no treino de modelos de IA. A empresa compete diretamente com gigantes como a Nvidia no mercado de hardware para inteligência artificial.

Na sua estreia na Nasdaq, a Cerebras definiu o preço do IPO em 185 dólares por ação, um valor que foi ajustado para cima devido à forte procura durante as apresentações aos investidores. No total, a empresa vendeu 30 milhões de ações, arrecadando cerca de 5,55 mil milhões de dólares, tornando-se assim no maior IPO tecnológico nos Estados Unidos desde a entrada da Uber em bolsa, em 2019.

Logo após o início das negociações, as ações da Cerebras dispararam cerca de 68%, encerrando o dia a 331 dólares por ação. Esta valorização levou a avaliação da empresa a quase 95 mil milhões de dólares, um aumento significativo em relação aos 23 mil milhões de dólares que a Cerebras tinha sido avaliada por investidores privados em fevereiro.

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O Wall Street Journal reporta que muitos investidores que desejavam participar no IPO não conseguiram adquirir ações durante a oferta inicial, sendo obrigados a comprá-las diretamente no mercado. Este desequilíbrio entre a procura e a oferta poderá ter contribuído para a forte valorização das ações logo na estreia. O sucesso do IPO também fez com que os principais executivos da empresa se tornassem multimilionários, com a participação do CEO Andrew Feldman a valer cerca de 3,2 mil milhões de dólares.

Apesar do entusiasmo em Wall Street, alguns analistas expressam dúvidas sobre a capacidade da Cerebras de manter este crescimento a longo prazo. Especialistas citados pela CNBC afirmam que a tecnologia da empresa ainda está numa fase inicial e questionam a competitividade dos seus chips em relação ao ecossistema já consolidado da Nvidia. Analistas do banco Davidson classificaram a tecnologia da Cerebras como “demasiado nicho”, argumentando que, embora os chips Wafer Scale Engine sejam extremamente rápidos em certas tarefas, oferecem menos flexibilidade do que os sistemas tradicionais utilizados pela maioria das empresas de IA.

Ainda assim, a estreia da Cerebras demonstra que o mercado continua a apostar fortemente em tudo o que esteja ligado à inteligência artificial. Após a explosão da IA generativa com o lançamento do ChatGPT, os investidores estão a olhar não apenas para os modelos de IA, mas também para toda a infraestrutura necessária para os treinar e executar. E é precisamente nesse segmento que empresas como a Cerebras pretendem posicionar-se.

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Fonte: ECO

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