Transição energética em Portugal: próximos passos para a competitividade

A transição energética em Portugal é vista como uma oportunidade de crescimento e inovação, não apenas uma necessidade. O Governo tem abordado a luta contra as alterações climáticas como um motor para criar riqueza e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. A energia é considerada um instrumento essencial para aumentar a competitividade, garantir a segurança de abastecimento e promover a resiliência do sistema energético.

Um relatório recente da ERSE indica que, em 2025, os consumidores portugueses, tanto residenciais como empresariais, beneficiarão de preços de energia abaixo da média europeia. Esta é uma notícia positiva para diversos setores e para a atração de investimento. O acesso a fontes de energia limpa e acessível é um fator crucial para a captação de investimentos, especialmente no contexto atual.

Portugal tem-se destacado na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, alcançando mais de 80% de incorporação renovável nos primeiros meses deste ano, o que nos coloca no topo da União Europeia. As crises climáticas e geopolíticas recentes reforçaram a necessidade de um sistema energético mais resiliente.

O Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) 2030, aprovado por consenso político, estabelece a base das ambições energéticas do país. No entanto, face à atual crise de preços e disponibilidade de energia, o Governo decidiu ir além do PNEC, com o objetivo de reduzir em 50% a dependência de combustíveis fósseis até 2034.

Para alcançar esses objetivos, o investimento em redes e armazenamento de energia é fundamental. O armazenamento, que inclui soluções como baterias e sistemas de armazenamento hídrico, é essencial para o funcionamento eficiente de um sistema elétrico descarbonizado. O Governo já investiu mais de 180 milhões de euros em projetos de armazenamento, com 43 iniciativas que somam 500 megawatts de capacidade.

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No dia 29 de junho, será colocada em consulta pública a Estratégia Nacional do Armazenamento de Energia, que reconhece a importância de incluir tanto baterias eletroquímicas como armazenamento hídrico. O país já possui uma capacidade significativa em centrais hidroelétricas reversíveis, e a expansão deste tipo de armazenamento é considerada estratégica para equilibrar a produção de energia renovável.

Além disso, será anunciado um leilão competitivo para 750 MWh de capacidade em baterias, que incluirá geração renovável adicional. Este leilão terá como um dos critérios a compensação aos municípios e às comunidades locais, garantindo que os benefícios da energia renovável sejam partilhados.

A revisão do modelo das zonas de grande procura também está em curso, com o objetivo de facilitar a ligação à rede elétrica para novos projetos. A crescente procura por ligações à rede elétrica levou o Governo a reconhecer todo o território nacional como zona de grande procura, o que permitirá acelerar o desenvolvimento de projetos energéticos.

Por fim, a transposição da diretiva REDIII das energias renováveis está em fase de conclusão, com novas metas e regulamentos que visam simplificar o processo de implementação de projetos de energia renovável. A clarificação da definição de biomassa florestal e a promoção do biometano são algumas das iniciativas que visam fortalecer a sustentabilidade do sistema energético.

Leia também: O impacto da energia renovável na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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