Inteligência Artificial: Aumento de Produtividade e Riscos Cognitivos

Arlindo Oliveira, presidente do INESC e professor no Instituto Superior Técnico, partilhou a sua visão sobre a Inteligência Artificial (IA) numa recente entrevista ao Podcast .IA. Durante a sua viagem pela Ásia, que incluiu paragens na China, Coreia do Sul e Japão, Oliveira sentiu que a Europa está a ficar para trás na corrida tecnológica. Ao regressar a Lisboa, descreveu a experiência como “regressar do futuro”, evidenciando a diferença na velocidade de adoção de tecnologia entre os continentes.

Na conversa, Oliveira abordou a crescente utilização de modelos de IA, como o Claude e o Codex, que têm proporcionado aumentos significativos de produtividade nas empresas. No entanto, ele expressou preocupação sobre a possível “atrofia cognitiva” que pode resultar da dependência excessiva destas tecnologias. A questão que se coloca é se estamos a sacrificar capacidades cognitivas valiosas em troca de eficiência.

Oliveira destacou que a Europa, embora preocupada com a regulação e os direitos, enfrenta desafios como a fragmentação do mercado e a falta de capital para investimento. Enquanto as empresas na Ásia e nos EUA conseguem obter financiamento de forma mais ágil, na Europa, muitos investidores preferem aplicar as suas poupanças em mercados norte-americanos. Esta situação dificulta a criação de empresas competitivas no setor da IA.

A visão de futuro que encontrou na Ásia contrasta com a ambivalência europeia. Oliveira sugere que a Europa deve decidir se quer apenas regular a transformação tecnológica ou se pretende também ser um ator relevante nesta corrida. Ele acredita que a IA é uma infraestrutura fundamental para a economia do futuro, e a Europa deve encontrar um equilíbrio entre a proteção dos direitos humanos e o crescimento económico.

O professor também mencionou a importância de simplificar a regulamentação, referindo o pacote Omnibus Digital da Comissão Europeia. Embora a simplificação seja benéfica, Oliveira questiona se a regulação atual está a impedir a inovação. Para ele, a fragmentação legislativa e a falta de um mercado integrado são obstáculos significativos para o desenvolvimento da IA na Europa.

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Oliveira expressou a sua preocupação com o impacto da IA na educação e no modo como os estudantes aprendem. Ele teme que a dependência de modelos de IA possa levar a uma perda de competências essenciais, uma situação que ele descreve como “rendição cognitiva”. A sua reflexão sobre a profissão de programador ilustra bem esta questão, uma vez que muitos profissionais estão a utilizar a IA para aumentar a produtividade, mas podem estar a sacrificar o desenvolvimento das suas habilidades.

Por fim, Oliveira questiona a aceitabilidade de empresas privadas, como a Anthropic e a OpenAI, decidirem quem tem acesso às tecnologias de ponta. Embora reconheça que a evolução da IA está a ocorrer rapidamente, ele acredita que o atraso em relação aos modelos de segunda linha não é tão significativo, dado o ritmo acelerado de inovação.

Leia também: O impacto da IA na economia e na sociedade.

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Fonte: ECO

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