Empréstimos à habitação atingem 54% nas compras de casas

Os novos empréstimos à habitação, excluindo transferências e renegociações, estão a ganhar cada vez mais peso nas transações de imóveis em Portugal. No final do ano passado, este indicador atingiu 53,6% do total, o valor mais elevado desde a chegada da Troika ao país, em 2011, quando se registou um pico de 60,7%. Contudo, este valor ainda está distante dos 82% observados no terceiro trimestre de 2010.

Após uma série de oscilações, incluindo a crise financeira e a pandemia, o peso dos empréstimos à habitação caiu para 32,5% no terceiro trimestre de 2023. Desde então, assistiu-se a nove subidas consecutivas, levando o Banco de Portugal a expressar preocupações sobre a saúde do sistema financeiro e a capacidade das famílias em gerir a sua dívida. Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, alertou para possíveis problemas futuros, como o aumento do desemprego e das taxas de juro, que podem afetar gravemente as famílias endividadas.

Além dos dados sobre empréstimos à habitação, o relatório revela que os preços das casas estão cada vez mais desalinhados em relação aos rendimentos. Em 2004, os preços estavam perfeitamente alinhados com os rendimentos (100%), após uma descida acentuada ao longo da década de 1990. Durante a crise e o resgate financeiro, este rácio caiu para um mínimo de 76,1% no primeiro trimestre de 2013. Até 2016, o rácio pouco se alterou, fixando-se em 81,4%.

A partir de 2016, no entanto, os preços das habitações começaram a subir de forma acentuada, atingindo 101,6% no final de 2019 e 119,7% no final de 2022. Após uma estabilização no período pós-pandemia, os dados indicam que, no último trimestre de 2025, o rácio normalizado dos preços da habitação face aos rendimentos já se situava em 141,3%, o que representa o nível mais elevado em pelo menos três décadas.

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O relatório também destaca que a participação dos portugueses na compra de casas aumentou pelo segundo ano consecutivo, passando de 67,2% para 71% do total. Em contrapartida, a participação de compradores estrangeiros diminuiu, de 30,9% para 27,6%. Entre os estrangeiros residentes, a queda foi de 24,1% para 23,4%, enquanto os não residentes desceram de 6,8% para 4,2%. Este cenário ocorre num ano em que os preços das casas aumentaram cerca de 17%, refletindo uma desaceleração nas transações por parte de estrangeiros não residentes.

Leia também: O impacto do aumento dos preços da habitação nas famílias portuguesas.

empréstimos à habitação empréstimos à habitação Nota: análise relacionada com empréstimos à habitação.

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Fonte: Sapo

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