A presença feminina nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tem vindo a crescer, mas ainda enfrenta desafios significativos. Historicamente, as mulheres têm desempenhado papéis cruciais no desenvolvimento da programação e da informática, desde Grace Hopper, uma das pioneiras da programação, até Ada Lovelace, que criou o primeiro programa de computador no século XIX. Contudo, a realidade atual revela que a presença feminina nas TIC ainda é limitada.
Na União Europeia, existem mais de 2 milhões de mulheres especialistas em TIC, um número que contrasta com os 8,2 milhões de homens na mesma área. Em 2022, apenas 19,5% dos profissionais de TIC eram mulheres, um valor que, embora represente o maior aumento da última década, ainda deixa muito a desejar. Em Portugal, a situação é ligeiramente melhor, com 22,3% de mulheres nas TIC, colocando o país em oitavo lugar na Europa. Este aumento é notável, especialmente considerando que, antes da pandemia, a percentagem rondava os 18%.
Apesar do aumento no número absoluto de mulheres empregadas nas TIC, que cresceu 45,7% nos últimos sete anos, a proporção de mulheres em comparação com os homens aumentou apenas 1,7 pontos percentuais desde 2019. O número de trabalhadoras com formação especializada em TIC é ainda mais preocupante. Em Portugal, apenas 12,6% das profissionais com diploma na área são mulheres, posicionando o país em 21.º lugar entre 22 nações da União Europeia.
As razões para esta discrepância são complexas. Muitas mulheres estão a desenvolver competências nas TIC tardiamente, o que levanta questões sobre os motivos que as levaram a não entrar na área mais cedo. Vários fatores podem estar em jogo, incluindo a percepção de que as carreiras em TIC oferecem melhores salários e flexibilidade, além do reconhecimento do valor que podem trazer à sociedade. No entanto, a sociedade patriarcal e os estereótipos de género ainda desempenham um papel importante, como aponta Cláudia Mendes, da Women in Tech.
Ana Pires, do INESC-TEC, destaca o “medo inicial” que muitas mulheres sentem ao considerar uma carreira nas TIC. No entanto, há sinais de mudança, com um aumento gradual no número de mulheres especialistas na área. Esta evolução é um reflexo de uma nova mentalidade que está a emergir, onde as mulheres começam a ver as TIC como uma opção viável e promissora.
A história das mulheres nas TIC é uma narrativa de pequenos passos, mas cada passo conta. O futuro deste setor poderá ser mais inclusivo e diversificado, desde que se continue a trabalhar para eliminar os preconceitos e a fomentar um ambiente que valorize a presença feminina. Leia também: O impacto das TIC na economia portuguesa.
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Fonte: Sapo





