Com temperaturas a ultrapassarem os 35 graus Celsius em várias regiões do país, a preocupação com os incêndios em Portugal aumenta, especialmente à medida que se aproxima o verão. Este ano, a situação é ainda mais crítica devido aos danos causados pela tempestade Kristin, que afetou gravemente as florestas e terrenos agrícolas. A contagem decrescente para a limpeza dos terrenos nas áreas afetadas já começou, mas os desafios são muitos.
Menos de 20 dias separam os proprietários da data limite para limpar os terrenos, uma tarefa que se revela complicada. Muitos afirmam que não há recursos humanos suficientes para remover a biomassa acumulada, que é um combustível potencial para incêndios. António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, expressou a sua preocupação, afirmando que, se as previsões climáticas se concretizarem, a época de incêndios poderá ser alarmante.
João Lé, administrador do grupo Navigator, um dos principais produtores florestais em Portugal, também alerta para o aumento da biomassa no solo, que pode ser de três a seis vezes superior ao normal. Esta situação representa um risco significativo para a segurança, uma vez que a quantidade de material inflamável pode facilitar a propagação de incêndios.
A Liga de Bombeiros tem defendido a necessidade de reformular as metodologias de combate a incêndios florestais. António Nunes sublinha que a tragédia não ocorre apenas nas florestas, mas também em áreas com matos altos, onde a gestão da vegetação é crucial. Ele pede uma análise mais aprofundada sobre como aumentar a capacidade de resposta em situações de emergência.
Em Leiria, a situação é igualmente preocupante. O vereador Luís Lopes revelou que mais de 10 mil hectares de floresta foram afetados, com 460 quilómetros de estradas florestais bloqueadas. A autarquia está a trabalhar para desobstruir esses caminhos, mas a tarefa é monumental. Em Ourém, o presidente da câmara, Luís Albuquerque, também destacou a gravidade da situação, com milhares de árvores tombadas e um grande volume de material lenhoso espalhado.
As autarquias estão a mobilizar recursos, com Ourém a contar com 3,6 milhões de euros do Estado para a limpeza dos terrenos. Contudo, a realidade é que muitos trabalhos não poderão ser concluídos antes do verão, o que levanta sérias preocupações sobre a capacidade de resposta a incêndios.
A gestão de combustível é uma estratégia essencial para prevenir incêndios. Especialistas como Akli Benali, do Instituto Superior de Agronomia, afirmam que a redução da biomassa é fundamental para controlar a intensidade dos incêndios. O fogo controlado é uma ferramenta que pode ajudar a minimizar os riscos, mas a sua implementação requer um planeamento cuidadoso.
À medida que o verão se aproxima, a pressão sobre as autoridades e os proprietários aumenta. A preparação para incêndios em Portugal é uma responsabilidade coletiva, e a colaboração entre autarquias, bombeiros e proprietários é vital para garantir a segurança da população e a proteção do meio ambiente.
Leia também: Como a gestão florestal pode ajudar a prevenir incêndios.
incêndios em Portugal incêndios em Portugal incêndios em Portugal Nota: análise relacionada com incêndios em Portugal.
Leia também: Sardinha em alta: abundância e procura nas festas populares
Fonte: ECO





