Nouriel Roubini, o economista conhecido por prever crises financeiras, fez um alerta contundente sobre o futuro da Europa durante a QSP Summit, que decorre no Porto. Segundo Roubini, se a Europa não conseguir avançar com a criação do mercado único, a união bancária e a redução da burocracia, corre o risco de ser ultrapassada pelos Estados Unidos e pela China. O economista sublinhou que a Europa precisa de se adaptar rapidamente ou ficará irremediavelmente para trás.
Roubini fez uma reflexão histórica, comparando a evolução tecnológica dos últimos anos. Ele destacou que, enquanto os Estados Unidos continuam a inovar e a China a imitar, a Europa permanece presa a um modelo de regulação excessiva. O seu conselho foi claro: “imitem”. Para ele, a capacidade de aprender com os outros é crucial para o progresso. Roubini exemplificou que a eletricidade, uma invenção americana, só chegou a muitas partes do mundo porque foi copiada.
Além disso, Roubini enfatizou a importância de a Europa assumir riscos coletivos, especialmente no que toca à defesa, à luz dos recentes conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente. A necessidade de uma abordagem unificada é mais premente do que nunca.
Em relação aos Estados Unidos, Roubini expressou uma preocupação cautelosa. Ele acredita que, apesar das controvérsias em torno da presidência de Donald Trump, o mercado sempre encontra formas de se ajustar. Roubini sugeriu que Trump, quando confrontado com a insatisfação do mercado, tende a recuar, como já aconteceu com as tarifas comerciais.
O economista também abordou a última década, caracterizada por incertezas e instabilidades. Desde a pandemia até à vitória de Joe Biden e à invasão da Ucrânia, Roubini descreveu este período como disruptivo. Contudo, a revolução da inteligência artificial foi destacada como a maior inovação tecnológica da história, superando até mesmo invenções como o fogo e a imprensa.
No que diz respeito a Portugal, Roubini manifestou otimismo. Ele reconheceu que, apesar dos desafios no setor imobiliário, o país possui um talento significativo, que é fundamental para a inovação. Este fator é um bom indicador para o futuro da economia portuguesa.
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Fonte: Sapo





