O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu que foram identificados pelo menos 680 casos de erros na digitalização de exames até à última terça-feira. Estas falhas resultaram em situações em que os estudantes receberam provas sem notas, com notas incorretas ou com respostas que não lhes pertenciam. Durante uma entrevista à RTP, o ministro assegurou que estes problemas estão a ser rapidamente resolvidos.
Fernando Alexandre explicou que os erros surgiram, em grande parte, devido à descentralização do processo de digitalização, que foi realizado em cada escola em vez de ser centralizado com os equipamentos modernos disponíveis na Imprensa Nacional Casa da Moeda. “Os erros que foram identificados são transparentes e, ao contrário do que acontece com os exames em papel, são rapidamente identificados e corrigidos”, sublinhou.
O ministro referiu que, apesar das dificuldades, a experiência inicial com a digitalização, nomeadamente no exame de Filosofia, demonstrou que era viável avançar com este sistema. Ele defendeu que o processo foi bem planeado e que as falhas não derivaram de uma má gestão dos recursos humanos, mas sim de problemas técnicos no software utilizado.
Em resposta a críticas sobre a implementação do sistema digital, Fernando Alexandre afirmou que o piloto realizado não apresentou problemas significativos. “É estranho que a informação não tenha sido reportada”, disse, referindo-se às declarações do ex-presidente do Júri Nacional de Exames.
O ministro reconheceu que a introdução da digitalização dos exames trouxe riscos, mas garantiu que os alunos teriam as notas corretas, uma vez que os exames estavam devidamente guardados. Ele também destacou que existem mecanismos de proteção para garantir que não haja desigualdade nas candidaturas ao ensino superior, mesmo em caso de erros.
Se os problemas persistirem na segunda fase de exames, Fernando Alexandre afirmou que o sistema de digitalização poderia ser abandonado, revertendo para o formato em papel. “Seria um falhanço muito grande para o sistema educativo”, alertou.
O ministro lembrou ainda que o Ministério da Educação é o maior empregador nacional, com mais de cinco mil escolas, e que a complexidade do processo envolve riscos diários que afetam a vida de milhares de pessoas. Ele reconheceu que, apesar dos desafios, as reformas em curso visam aumentar a eficiência do ministério, tendo já reduzido o número de profissionais afetos ao processo em cerca de 50%.
Fernando Alexandre concluiu que, se não fosse possível corrigir os erros, já teria apresentado a sua demissão, reafirmando o seu compromisso em resolver a situação e melhorar o sistema educativo.
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Fonte: ECO





