Os operacionais portugueses que se encontram em Ávila, Espanha, estão a trabalhar incessantemente no combate a incêndios florestais, mas a situação é complicada. O comandante David Lobato, que lidera a equipa, afirmou que as condições não são animadoras, uma vez que os meios disponíveis não conseguem extinguir os fogos de forma eficaz.
Lobato explicou que, apesar dos esforços, como o uso de aviões para lançar água, a intensidade dos incêndios impede que a água chegue ao solo. “Os incêndios têm de ser geridos, não apagados numa primeira fase”, sublinhou. A equipa portuguesa, composta por 134 operacionais, chegou a Ávila na noite de sábado, após um reforço da equipa, e está a trabalhar em conjunto com as autoridades espanholas.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) enviou uma Força Operacional Conjunta (FOCON) para ajudar no combate aos incêndios, que já consumiram quase 50 mil hectares. As evacuações preventivas foram implementadas, e os operacionais estão focados em proteger pessoas, bens e animais. “Uma das missões é evitar que o incêndio ultrapasse a estrada 501, e até agora estamos a conseguir”, afirmou Lobato.
A situação em Ávila é semelhante a incêndios que têm ocorrido em Portugal, com habitações já destruídas e a necessidade de evacuação de várias povoações. O comandante destacou a angústia das pessoas que, sem saber quando poderão regressar a casa, encontram-se em abrigos seguros.
Embora a noite de sábado tenha sido mais calma devido ao aumento da humidade, as previsões meteorológicas para os próximos dias não são encorajadoras. Espera-se um aumento da temperatura, baixa humidade e vento, o que pode dificultar ainda mais o combate aos incêndios em Espanha.
David Lobato reiterou a importância de gerir a situação com cautela, sem uma previsão clara para o término da missão. “Vamos continuar a trabalhar e a aguardar por uma janela de oportunidade para extinguir os fogos”, disse. A força portuguesa permanecerá em Ávila enquanto as autoridades espanholas considerarem necessário.
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, já expressou o seu agradecimento à equipa portuguesa, destacando a solidariedade entre os dois países. Desde quinta-feira, a situação em Espanha levou ao confinamento ou evacuação de mais de 90 mil pessoas nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo. Além disso, um incêndio em Castellón, na região de Valência, já resultou na retirada de 15 mil pessoas.
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Fonte: Sapo





