A Comissão de Trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) denunciou, no último domingo, a retirada de 100 ambulâncias do seu dispositivo operacional. Esta decisão, segundo os trabalhadores, poderá aumentar a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, colocando em risco a segurança dos utentes.
Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores afirmou que não se trata de um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica, mas sim de uma redução significativa da capacidade de resposta do INEM. O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, confirmou numa entrevista à RTP que as ambulâncias de emergência médica do INEM serão transferidas para as Unidades Locais de Saúde (ULS), e as atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) serão convertidas em viaturas ligeiras.
A Comissão de Trabalhadores detalhou que, se a decisão se concretizar, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 ambulâncias SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a sua capacidade de transporte de doentes. Esta mudança, segundo os trabalhadores, aumentará a pressão sobre os serviços de emergência, que já enfrentam um sistema sobrecarregado.
Os trabalhadores do INEM alertam que a retirada de 100 ambulâncias resultará em tempos de resposta mais longos e em uma maior indisponibilidade de meios, o que representa um risco acrescido para os utentes. Por isso, exigem que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, se pronuncie sobre a decisão e assuma as suas consequências. A Comissão de Trabalhadores afirmou que, caso não haja uma resposta clara, será necessário substituir o atual Conselho Diretivo do INEM.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) também expressou preocupação com a retirada das ambulâncias, destacando que esta decisão poderá levar a atrasos na assistência aos cidadãos. O sindicato enviou um ofício à ministra da Saúde solicitando um esclarecimento urgente e anunciou que, se não houver resposta até 1 de agosto, poderão ser organizadas ações de protesto.
Os trabalhadores do INEM agendaram uma assembleia geral para os primeiros dias de agosto, onde discutirão a situação e poderão aprovar medidas concretas. A Comissão de Trabalhadores sublinhou que não aceitará passivamente a desmantelação da resposta operacional do INEM.
Além disso, os trabalhadores e o sindicato apelaram aos presidentes das 71 câmaras municipais afetadas, incluindo Lisboa, Porto, Coimbra, Loulé e Viseu, para que defendam as suas populações. A retirada de ambulâncias significa mais demora no socorro e maior risco para os munícipes.
A nova lei orgânica do INEM, publicada em 16 de julho, não inclui as delegações do Norte, Centro e Sul, mas o presidente do INEM afirmou que o novo modelo prevê um reforço da emergência pré-hospitalar nessas regiões, com a contratação de mais profissionais.
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Fonte: Sapo





