As empresas portuguesas estão a transformar resíduos em negócios, deixando para trás a ideia de que os desperdícios são apenas um custo. De setores como a construção ao têxtil, passando pelo calçado e pela pedra natural, várias iniciativas estão a surgir com o objetivo de dar nova vida a materiais que, de outra forma, seriam descartados.
Um exemplo notável é o projeto Matterpieces, fundado por dois arquitetos que regressaram a Portugal após anos em Viena. Patrícia Gomes e Luís Lima decidiram redefinir o futuro dos materiais de construção ao criar revestimentos e mobiliário a partir de resíduos de obras, como telhas e tijolos. Desde a sua fundação em 2022, a Matterpieces já desviou 50 toneladas de resíduos de aterros e planeia processar mais de 360 toneladas nos próximos dois anos. A empresa, que já foi premiada em várias iniciativas de inovação, está agora a explorar a internacionalização.
No setor têxtil, a startup Smartex.ai está a revolucionar a produção com a ajuda da inteligência artificial. A empresa, que colabora com a Impetus, utiliza tecnologia avançada para detectar defeitos em tempo real, reduzindo o desperdício e os custos. Com esta inovação, a Impetus conseguiu diminuir em 10% os defeitos finais na sua produção, aumentando a eficiência e a sustentabilidade da indústria têxtil.
Outra história inspiradora é a de Gisella Tortoriello, que fundou a Olivah, uma marca que transforma resíduos de pedreiras de mármore em peças de design. Com 40% da sua produção exportada, a Olivah tem vindo a criar artigos únicos, como mesas e banheiras, a partir de materiais que, de outra forma, seriam descartados.
A Zouri Shoes é uma marca que também se destaca na reutilização de resíduos, neste caso, plástico recolhido das praias portuguesas. Desde a sua criação em 2018, a Zouri já recolheu 21 toneladas de lixo e oferece calçado sustentável, produzido com matérias-primas ecológicas. A marca tem visto um crescimento significativo, com as vendas a aumentarem, especialmente na linha de sandálias.
Por fim, o grupo Costa Nova Indústria inaugurou recentemente uma unidade dedicada à produção de artigos de mesa a partir de matéria-prima reciclada. A Ecogres-Cerâmica Ecológica utiliza mais de 95% de materiais reciclados e tem como objetivo reduzir a extração de matérias-primas virgens, contribuindo para uma indústria mais sustentável.
Estas empresas estão a mostrar que os resíduos podem ser transformados em negócios viáveis, promovendo uma economia circular e sustentável em Portugal. Leia também: “Como a economia circular está a mudar o panorama empresarial em Portugal”.
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Fonte: ECO





