A recente vitória de Péter Magyar nas eleições na Hungria é vista como uma boa notícia para a União Europeia, uma vez que promete aliviar as tensões que o governo de Viktor Orbán tem gerado nos últimos anos. Esta mudança política pode facilitar a aprovação de medidas importantes no Conselho Europeu, como o reforço das sanções à Rússia e o financiamento à Ucrânia, que estavam a ser bloqueadas por Orbán.
Magyar tem manifestado a intenção de alinhar a Hungria com os restantes Estados Membros da União Europeia. A expectativa é que o novo governo mude a postura de proximidade com a Rússia, que tem sido uma característica da administração de Orbán. Para que essa reaproximação ocorra, a União Europeia também deverá agir, especialmente no que diz respeito à dependência da Hungria em relação ao petróleo russo, que é vital para o seu abastecimento energético.
A Hungria, assim como a Eslováquia, enfrenta desafios devido à sua localização geográfica, que limita as opções de abastecimento energético. Orbán sempre usou este argumento para justificar a sua oposição ao agravamento das sanções à Rússia, afirmando que era injusto impedir o acesso a petróleo a preços acessíveis. As derrogações às sanções, que foram criadas especificamente para a Hungria, reconhecem a validade desse argumento.
No entanto, a resistência de Orbán em colaborar com os outros Estados Membros na solidariedade com a Ucrânia gerou desconforto. A vitória de Magyar representa uma oportunidade para a Hungria reafirmar valores democráticos fundamentais, como a liberdade de imprensa, a autonomia do poder judicial e a proteção das minorias. Estes princípios têm sido gradualmente corroídos pelo governo anterior, que se autodenominava uma “democracia iliberal”.
Além disso, a administração de Orbán foi alvo de críticas por facilitar esquemas de corrupção que beneficiaram grupos ligados ao seu partido. Esta situação foi um dos fatores que levaram à rejeição expressiva do eleitorado à continuidade de Orbán no poder.
Agora, com a vitória de Magyar, a Hungria tem uma oportunidade única de resolver problemas estruturais e restaurar a confiança nas instituições democráticas. Contudo, o caminho à frente não será fácil e as expectativas de mudança são elevadas. Magyar precisará de sorte e determinação para enfrentar os desafios que se avizinham.
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Fonte: Sapo





