Na terça-feira, uma declaração da Guarda Revolucionária Islâmica trouxe à tona a realidade de que a guerra no Irão ainda não terminou. Este aviso, que ecoa como um prenúncio de que o cessar-fogo poderá ser apenas temporário, marca uma mudança significativa no comando do país, agora sob a influência direta da Guarda Revolucionária Islâmica.
A morte do antigo líder supremo, Ali Khamenei, alterou o equilíbrio de poder no Irão. Embora a dupla Estados Unidos/Israel esperasse uma transição pacífica, a realidade revelou-se bem diferente. O esperado movimento em direção à democracia não se concretizou; pelo contrário, o nacionalismo iraniano parece ter reforçado a ligação ao regime teocrático. Os moderados, que tentaram capitalizar a situação, não conseguiram tomar as rédeas do poder, mesmo com a ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder.
A Guarda Revolucionária Islâmica, agora no comando, tem a capacidade de ditar tanto a estratégia militar como as decisões políticas. O novo cenário é preocupante, especialmente para os Estados Unidos, que se vêem numa posição complicada com as eleições intercalares a aproximarem-se. A mudança de liderança não trouxe a esperança que muitos esperavam; pelo contrário, parece ter acentuado a rigidez do regime.
Mojtaba Khamenei, que assumiu o lugar do pai, parece estar mais a legitimar as decisões dos generais da Guarda Revolucionária do que a liderar de forma independente. A pressão da guerra tem concentrado o poder nas mãos de um círculo restrito de figuras duras, ligadas ao Conselho Supremo de Segurança Nacional e à própria Guarda Revolucionária Islâmica. Este novo arranjo indica que a guerra e a sua condução estão agora nas mãos de quem realmente a comanda.
Na esfera diplomática, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, tem sido a face do Irão nas negociações com os Estados Unidos. Contudo, a sua influência parece estar a diminuir, enquanto figuras como Ahmad Vahidi, comandante da Guarda Revolucionária, emergem como líderes centrais. Este novo equilíbrio de poder sugere que a possibilidade de um cessar-fogo duradouro se torna cada vez mais remota.
Os analistas preveem que, com a Guarda Revolucionária Islâmica a assumir um papel tão preponderante, a situação no Irão se tornará ainda mais complexa. A pressão interna e externa poderá levar a um aumento das hostilidades, forçando os Estados Unidos a reconsiderar a sua abordagem em relação ao Irão.
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Fonte: Sapo





