O Conselho de Administração da Martifer SGPS anunciou, no dia 20 de maio de 2026, a aprovação de uma adenda ao relatório sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Visabeira Indústria. A administração reafirma que a proposta é “adequada” e “suscetível de ser aceite pelos acionistas”.
A OPA da Visabeira visa a aquisição de 14.412.198 ações da Martifer, com um preço fixado em 2,057 euros por ação, a ser pago em dinheiro. O período de aceitação da oferta começou às 8h30 do dia 18 de maio e terminará às 15h30 de 3 de junho de 2026. Para garantir o pagamento da contrapartida, a Caixa Geral de Depósitos e o Novobanco disponibilizam até 29,6 milhões de euros.
Atualmente, a Visabeira Indústria possui diretamente 23 milhões de ações da Martifer, o que corresponde a 23% do capital. Juntamente com a I’M SGPS e a Mota-Engil, controla 85,59% dos direitos de voto. Após uma análise do prospeto aprovado pela CMVM a 15 de maio, o Conselho de Administração da Martifer não identificou novos elementos que justifiquem uma alteração à sua avaliação anterior.
O preço de 2,057 euros por ação representa um múltiplo de cerca de 2,6 vezes o valor contabilístico por ação, que é de 0,79 euros. Os múltiplos implícitos na OPA, de 0,89 vezes EV/Sales e 7,85 vezes EV/EBITDA, estão acima da média das empresas do setor. Além disso, o preço proposto é superior aos 1,693 euros por ação pagos pela Visabeira em transações anteriores.
A Visabeira reafirma a intenção de manter a continuidade da atividade da Martifer, bem como as condições laborais e as relações com os stakeholders. Na reunião extraordinária do dia 20 de maio, a adenda foi aprovada com os votos favoráveis dos cinco administradores independentes. Os quatro administradores não executivos e não independentes, incluindo o presidente Carlos Manuel Marques Martins, optaram por se abster. Embora tenham declarado não estar em conflito de interesses, reconheceram que os seus interesses podem não coincidir totalmente com os dos acionistas minoritários.
Nuno Miguel Rodrigues Terras Marques, presidente do Grupo Visabeira e administrador não executivo da Martifer desde fevereiro, não participou na votação devido a um conflito de interesses. O prospeto da OPA indica que, caso a Visabeira atinja 90% dos direitos de voto, pretende exercer a aquisição potestativa e retirar a Martifer da bolsa. Para isso, a Visabeira precisa adquirir mais 4,41% do capital.
A Martifer decidiu não alienar as suas 2.215.910 ações próprias, que representam 2,2% do capital, para respeitar o princípio do tratamento igualitário. A Oferente, a I’M e a Mota-Engil comprometeram-se a não propor a distribuição de reservas até ao final de 2026, além do dividendo de 0,093 euros por ação já anunciado. O Conselho de Administração recomenda que cada acionista tome uma decisão individual, alinhada com os seus objetivos, e sugere a consulta de assessoria legal, fiscal ou financeira, se necessário.
Leia também: O impacto das OPAs no mercado português.
OPA Visabeira OPA Visabeira OPA Visabeira OPA Visabeira OPA Visabeira Nota: análise relacionada com OPA Visabeira.
Leia também: Mota-Engil confiante em vencer processo judicial nos EUA
Fonte: Sapo





