Negociações de paz entre EUA e Irão canceladas na Suíça

As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, que estavam agendadas para ocorrer na Suíça, foram canceladas, conforme anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço. Este desfecho surge na sequência do acordo preliminar alcançado entre Washington e Teerão, que tinha como objetivo discutir a implementação de um projeto de acordo de 14 pontos.

O cancelamento foi confirmado poucas horas depois de a Casa Branca ter comunicado que o vice-presidente J.D. Vance não iria mais viajar para a Suíça, onde estava previsto que se reunisse com os negociadores iranianos. O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, expressou apoio ao acordo preliminar, embora tenha manifestado uma “opinião diferente” sobre o entendimento assinado pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

Khamenei garantiu que, se os EUA apresentarem exigências excessivas durante as negociações, estas não serão aceites. O líder iraniano sublinhou que as futuras conversações não implicam a aceitação do ponto de vista americano. Ele também criticou a abordagem de Donald Trump, afirmando que o ex-presidente buscou o acordo “num ato de desespero”.

O memorando de entendimento previa o fim do conflito em várias frentes, incluindo a situação no Líbano entre Israel e o Hezbollah, grupo aliado do Irão. Além disso, estava previsto o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, permitindo a Teerão retomar a comercialização de petróleo.

Nos próximos dois meses, as partes deveriam discutir os detalhes do acordo final, que incluiriam o programa nuclear do Irão e o destino do urânio enriquecido. Em troca, o Irão esperava o levantamento das sanções e o descongelamento dos seus ativos no exterior. Um fundo de 300 mil milhões de dólares também estava em consideração para a reconstrução da República Islâmica.

Mojtaba Khamenei, que assumiu o cargo de líder supremo em março, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, tem se comunicado principalmente por escrito, dado que não tem aparecido em público desde os ataques israelo-americanos.

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Por outro lado, o Presidente francês Emmanuel Macron manifestou ceticismo sobre a possibilidade de a guerra ter terminado completamente, apesar do acordo assinado. Ele pediu ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que demonstre responsabilidade na situação no Líbano. Macron destacou que é preferível ter um acordo do que a guerra, especialmente quando existem riscos de escalada.

O líder francês reconheceu que o Hezbollah representa um risco para Israel, mas defendeu que a segurança do Estado judaico não pode ser garantida pela conquista de território vizinho. Ele alertou que a política de Netanyahu, tanto no Líbano como em Gaza e na Cisjordânia, alimenta o ressentimento e a violência na região.

Entretanto, os EUA impuseram sanções económicas a autoridades libanesas acusadas de obstruir o processo de paz no Líbano e de atrasar o desarmamento do Hezbollah. Entre os sancionados estão figuras políticas que, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, usaram a sua influência para dificultar as negociações.

Leia também: O impacto das sanções económicas no Líbano e na região.

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Fonte: ECO

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