A Região Demarcada do Douro antecipa um aumento significativo na produção de vinho para a vindima de 2026, estimando-se um crescimento entre 25% e 30% em comparação com o ano anterior. Contudo, essa projeção está sujeita às condições climáticas que se farão sentir até à colheita, uma vez que o calor intenso pode causar stress hídrico nas videiras.
A Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), com sede em Vila Real, apresentou hoje estas previsões. O diretor-geral da ADVID, Luís Marcos, sublinhou que a expectativa de colheita é “um bocadinho incerta”. As estimativas são baseadas na análise do pólen recolhido durante a floração das videiras nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior. No entanto, essas previsões não consideram os fatores que ocorrem após a floração, que também influenciam a produção.
Para melhor compreender o impacto das condições climáticas pós-florais, a ADVID realizou recentemente um balanço intercalar com os seus associados. Luís Marcos destacou que, com base nas previsões, a produção poderá variar entre 243 mil e 272 mil pipas, mas a tendência é que se aproxime do limite inferior, podendo até ser inferior a esse valor. Em 2025, a produção no Douro foi de apenas 178 mil pipas, a segunda mais baixa em 25 anos.
O diretor-geral da ADVID referiu que “estaremos a apontar para um crescimento de 25% a 30% face ao ano anterior”. Contudo, a expressão “até ao lavar dos cestos é vindima” nunca foi tão pertinente, dado que a colheita final dependerá fortemente das condições meteorológicas até ao corte das uvas.
Este ano, as condições climáticas têm sido variadas. O inverno foi marcado por chuvas intensas, enquanto a primavera trouxe temperaturas elevadas e baixos índices de precipitação. Em maio e junho, ocorreram ondas de calor que, segundo Luís Marcos, já causaram “alguns episódios de escaldão” nas uvas. Além disso, a antecipação do ciclo vegetativo da videira em 10 a 12 dias pode resultar numa ligeira antecipação da vindima.
Apesar de não ter havido uma pressão significativa de míldio, a principal doença que afeta as vinhas, os produtores devem manter vigilância em relação ao oídio e à cigarrinha verde, uma praga que tem ganho destaque na região. Esta praga pode comprometer o desenvolvimento das videiras e, consequentemente, a qualidade do vinho.
As previsões de vindima são fundamentais para que as empresas do setor possam delinear estratégias de negócio. O conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) utiliza essas estimativas para determinar o benefício, ou seja, a quantidade de mosto que cada produtor pode transformar em vinho do Porto. Nos últimos anos, o benefício no Douro caiu de 104.000 pipas em 2023 para 90.000 em 2024 e 75.000 em 2025, refletindo uma quebra de 29.000 pipas em três anos.
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Fonte: Sapo





