Estado da economia: boas contas e desafios para as famílias

No Parlamento, os partidos discutem o estado da economia portuguesa, que apresenta uma realidade a duas velocidades. Apesar de um alívio nas contas públicas, com a dívida a descer e o desemprego em mínimos históricos, as famílias enfrentam um cenário complicado. Comprar casa tornou-se uma miragem para a classe média, enquanto os salários, embora em crescimento, não conseguem acompanhar a produtividade.

Os dados mais recentes revelam que, após um crescimento de 2,2% em 2024, a economia desacelerou para 1,9% em 2025. Para este ano, o Banco de Portugal prevê um crescimento ainda mais modesto, de 1,8%. Este abrandamento é preocupante, especialmente quando se considera que as exportações estão praticamente estagnadas, com um crescimento de apenas 0,4% em 2025. A procura externa líquida teve um impacto negativo de 1,8 pontos percentuais no crescimento, indicando que o motor das exportações, que impulsionou a economia nos últimos anos, está a perder força.

Em relação à dívida pública, esta caiu para 89,7% do PIB no ano passado, superando as metas do Governo. Embora tenha subido ligeiramente para 91% no primeiro trimestre deste ano, a trajetória a médio prazo continua a ser de descida. Este é um dos sucessos silenciosos da economia portuguesa, que, após ter enfrentado um resgate financeiro, conseguiu fechar 2025 com um excedente orçamental de 0,7%.

A taxa de desemprego, que fechou em 6% no ano passado, é a mais baixa desde 2011, mas o aumento para 6,1% no primeiro trimestre deste ano, com a perda de quase 40 mil postos de trabalho, levanta preocupações. A subutilização do trabalho também desceu para 9,6%, mas a produtividade caiu 0,4%, enquanto os salários médios aumentaram 4,8%. Este desfasamento entre salários e produtividade é um problema estrutural que precisa de ser abordado.

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No mercado da habitação, os preços dispararam 17,6% em 2025, o maior aumento desde que existem registos. O valor total das transações atingiu 41,2 mil milhões de euros, com quase 170 mil casas vendidas. No entanto, a renda mediana dos novos contratos subiu para 9,46 euros por metro quadrado, o que torna a habitação inacessível para muitos. Para um trabalhador com um salário mínimo de 920 euros, a situação é insustentável.

Os dados mostram que, apesar de um estado da economia que parece positivo em alguns indicadores, a realidade das famílias é bem diferente. O fosso entre o crescimento económico e a qualidade de vida continua a ser um desafio que os governantes não podem ignorar. Leia também: O impacto da inflação na vida das famílias.

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Fonte: ECO

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