Brasil critica tarifas dos EUA e prepara resposta na OMC

O Governo brasileiro classificou como um “marco lastimável” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Esta medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), entrará em vigor a 22 de julho e foi recebida com descontentamento em Brasília.

O Palácio do Planalto revelou que iniciará de imediato os procedimentos para invocar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, junto da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas por Washington, considerando-as infundadas.

A decisão dos EUA surge após uma investigação comercial que acusou o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam as empresas norte-americanas. A lista de produtos afetados pela nova tarifa inclui itens como petróleo, gás, carne bovina e café, entre outros. O USTR também mencionou questões relacionadas ao sistema de pagamentos PIX e à regulação de grandes empresas tecnológicas como barreiras ao comércio.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as negociações com o Brasil não resultaram em soluções para as preocupações levantadas, mas expressou abertura para continuar o diálogo. Em resposta, o governo brasileiro sublinhou que o dia 15 de julho de 2026 será lembrado como um momento negativo nas relações bilaterais.

Brasília argumenta que não existem justificativas para estas medidas unilaterais e que as investigações realizadas pelos EUA não têm respaldo nas regras de comércio internacional. O governo brasileiro citou dados que mostram que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de 424,5 mil milhões de dólares no comércio com o Brasil.

Além disso, o governo destacou que, em 2025, 76% das importações dos EUA entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação, com uma taxa média de apenas 3,1% sobre produtos norte-americanos. Durante audiências públicas promovidas pelo USTR, a maioria dos representantes do setor privado de ambos os países manifestou-se contra a aplicação das tarifas.

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O governo brasileiro também considerou “descabidas” as alegações sobre o sistema PIX e as acusações relacionadas ao desmatamento. A nota oficial reafirma que o Brasil não irá abdicar da proteção das suas famílias e crianças contra a exploração por parte de grandes empresas tecnológicas.

Por fim, o governo responsabilizou a administração anterior, liderada por Jair Bolsonaro, pela situação atual, referindo que os “falsos patriotas” que criticaram o país o fizeram por motivos eleitorais. A crítica surge após declarações do pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro, que sugeriu que os EUA poderiam prolongar as tarifas após as eleições de outubro, para não favorecer politicamente o atual presidente Lula da Silva.

Leia também: A evolução das tarifas comerciais e o impacto nas economias.

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Fonte: Sapo

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