A partir de agosto de 2024, as empresas que utilizam sistemas de inteligência artificial (IA) para apoiar decisões de emprego e contratação terão de ser mais transparentes. O AI ACT classifica esses sistemas como de alto risco, uma vez que a IA já está presente em muitos processos de seleção, desde a triagem de currículos até à identificação de candidatos para a próxima fase.
Com a entrada em vigor das novas disposições do regulamento a 2 de agosto, as empresas devem assegurar uma utilização responsável e clara da tecnologia. A Hays, uma empresa de recrutamento e soluções de recursos humanos, alerta que, embora as exigências específicas só comecem a ser aplicadas em dezembro de 2027, é crucial que as organizações comecem a preparar os seus processos e equipas desde já.
Mário Gonçalves, business director da Hays Portugal, sublinha que, apesar dos ganhos de eficiência que a IA pode trazer, as decisões que impactam a carreira de um indivíduo não devem ser tomadas apenas por algoritmos. “O principal contributo do AI Act é estabelecer um quadro comum para garantir que a inteligência artificial é utilizada de forma responsável, especialmente em áreas sensíveis como o recrutamento. A tecnologia pode trazer objetividade e eficiência, mas nunca deve substituir o critério profissional”, afirma Gonçalves. Ele acrescenta que a avaliação final de uma candidatura deve sempre incluir um juízo humano, contexto e capacidade de interpretação.
O novo quadro europeu exigirá uma gestão e avaliação contínua dos riscos associados ao uso da IA, garantindo a utilização de dados de qualidade, documentação técnica, rastreabilidade e supervisão humana. As organizações terão de ser mais transparentes sobre o papel da IA no processo de candidatura, o que representa uma mudança significativa para os departamentos de recursos humanos.
“Estamos perante uma oportunidade para construir processos de seleção mais transparentes, fiáveis e seguros. As organizações que começarem a formar as suas equipas, avaliar as ferramentas e integrar boas práticas estarão mais bem preparadas para cumprir as futuras exigências e para atrair talento num mercado cada vez mais digital”, conclui Mário Gonçalves.
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Fonte: Sapo





