À medida que as eleições presidenciais no Brasil se aproximam, Lula parece estar a caminho de uma vitória garantida, independentemente do resultado nas urnas. A oposição, fragmentada e sem um candidato forte, continua a viver à sombra do bolsonarismo. Mesmo os críticos mais acérrimos começam a aceitar que a continuidade é o cenário mais provável. No início de 2026, a bolsa e o real brasileiros já apresentavam valorizações significativas, com aumentos de 12,56% e 5,21%, respetivamente, sinalizando uma recuperação do mercado financeiro.
É importante recuar um pouco e entender quem é Lula. Ex-operário e líder sindical durante a ditadura militar, ele tentou a presidência quatro vezes antes de ser eleito em 2002. Reelegeu-se e continuou o seu projeto com Dilma Rousseff. Após ser preso durante a Operação Lava Jato, não pôde concorrer em 2018. Quatro anos depois, já livre, apresentou-se como uma alternativa ao populismo autoritário de Bolsonaro e reconquistou o cargo. O seu lema atual é “União e reconstrução”.
Apesar da polarização no Brasil, os números falam por si. O Governo Lula III deverá ter alcançado o maior crescimento acumulado do PIB desde o seu segundo mandato, superando os 10%. A inflação acumulada deve terminar em cerca de 19%, a mais baixa desde o fim da hiperinflação. O desemprego também caiu para um mínimo histórico, próximo de 5%. Além disso, Lula está a alinhar o crescimento económico com uma agenda social, isentando do imposto de rendimento quem ganha até cinco salários mínimos e reatando a política de valorização real do salário. Para compensar, foi aprovado um imposto mínimo de 10% para rendimentos anuais superiores a 600.000 reais (aproximadamente 95.000 euros).
No entanto, quais são os principais desafios que Lula enfrenta? Na economia, o governo registou défices nominais elevados, superiores a 1 bilião de reais, o que representa 8% do PIB. Os défices primários foram ligeiramente negativos. Em quatro anos, o governo terá pago mais de 4 biliões de reais em juros da dívida, um valor que ultrapassa duas vezes o PIB de Portugal. Apesar disso, o governo parece mais focado em criticar o banco central por manter as taxas de juro em 15% ao ano do que em reduzir os estímulos fiscais que têm sobreaquecido a economia, aumentando os riscos para os investidores estrangeiros.
Politicamente, o bolsonarismo continua a ser um problema. Em várias sondagens, Michelle, esposa do ex-presidente, e Flávio, um dos filhos, têm mais de 30% das intenções de voto. Os seus planos de governo permanecem desconhecidos, o que revela a força do nome Bolsonaro.
Então, a pergunta que se coloca é: Lula já ganhou? No Brasil, a resposta é ambígua. Sim, terminará o seu mandato como um dos mais estáveis dos últimos anos e provavelmente será reeleito. Não, o legislativo continuará dominado pela direita, e Lula pode não conseguir emplacar um sucessor à altura da sua reputação e capacidade de mobilização.
A esperança é que o Brasil continue a amadurecer democraticamente, seja através da social-democracia ou do liberalismo económico. Já demonstrámos que um ex-operário pode chegar ao poder democraticamente e que um militar com intenções golpistas pode acabar atrás das grades. Agora, resta-nos provar a nós mesmos que já não somos adolescentes na sala.
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Fonte: ECO





