Atraso competitivo no setor de seguros devido a sistemas obsoletos

O recente estudo da Deloitte, intitulado Observatório do Mercado Segurador Português 2025, revela que o setor segurador em Portugal enfrenta um atraso competitivo significativo, resultado da utilização de sistemas de tecnologia da informação (IT) com idades entre 15 a 20 anos. Este inquérito, que envolveu 32 gestores de topo de empresas que detêm 85% da quota de mercado, destaca a urgência de modernização e adaptação às novas exigências do mercado.

Nuno Schäller Gonçalves, líder do setor de seguros da Deloitte, afirma que os dados obtidos são particularmente relevantes, pois refletem a realidade do mercado português, ao contrário de benchmarks internacionais que podem não ser aplicáveis. A pressão tecnológica, a transformação do seguro de saúde e a necessidade de evoluir de uma cultura de poupança para uma de investimento são alguns dos desafios que o setor segurador enfrenta atualmente.

O inquérito confirmou as suspeitas de muitos executivos: a necessidade de uma experiência mais uniforme entre canais e a urgência na modernização tecnológica. O core, que é a parte mais crítica de um sistema, está a ser identificado como um obstáculo à digitalização eficaz do setor em Portugal. A maioria dos sistemas core é considerada inflexível e complexa, o que impede um time-to-market mais rápido e a criação de novos produtos com agilidade.

O atraso competitivo no setor segurador deve-se, em grande parte, à herança tecnológica que resulta de fusões e aquisições. Muitas seguradoras têm de integrar múltiplos sistemas e culturas, o que torna as transformações pesadas e lentas. Gonçalves sublinha que, sem sistemas “apificados” e dados tratados em volume, não será possível abrir o ecossistema ao Open Insurance.

A modernização dos sistemas é, portanto, uma prioridade. Contudo, a autonomia das operações em Portugal depende das orientações dos grupos internacionais, o que pode acelerar ou atrasar a modernização local. A adoção de inteligência artificial (IA) também está a ser lenta, mas Gonçalves acredita que a verdadeira ameaça reside no atraso na sua implementação.

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O seguro de saúde destaca-se como uma área crítica, com a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o aumento dos custos a colocar os rácios de sinistralidade em níveis preocupantes. Para inverter esta tendência, as seguradoras precisam de se posicionar como parceiros de vida dos clientes, focando na prevenção e personalização.

A transição de uma cultura de poupança para uma de investimento é essencial em Portugal, especialmente no que diz respeito aos seguros de vida e pensões. Para tal, é necessário aumentar a literacia financeira e a confiança nas seguradoras, além de melhorar a comunicação sobre estes produtos.

A tecnologia não só não irá destruir empregos, como também criará novas oportunidades em áreas como energia e engenharia. O estudo conclui que o setor segurador está num ponto de viragem, onde a modernização rápida e a adaptação às novas dinâmicas de consumo serão cruciais para garantir a competitividade e a eficiência.

Leia também: O futuro do Open Insurance em Portugal.

setor segurador Nota: análise relacionada com setor segurador.

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Fonte: ECO

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