Reforma tributária no Brasil: desafios e lições de Portugal

A reforma do sistema tributário é um desafio complexo, especialmente num país como o Brasil, que conta com 26 estados e mais de 5.500 municípios. Após mais de três décadas de debates, o Brasil aprovou a Emenda Constitucional 132, que introduz um novo modelo de IVA Dual. Esta transição, que se estenderá até 2033, é uma das reformas tributárias mais longas da história, com a migração total para a tributação no destino a ser concluída apenas em 2078.

O sistema tributário brasileiro é considerado um dos mais complicados do mundo, conforme aponta o Banco Mundial. As empresas gastam, em média, mais de 1.500 horas por ano apenas para calcular os impostos. Desde 1988, foram criadas mais de 460 mil normas tributárias, o que equivale a 37 novas normas por dia útil. Neste contexto, o tributarista Schoueri sintetiza a frustração dos contribuintes: “só uma coisa dói mais do que pagar imposto: é pagar para pagar imposto”.

Apesar da recente extinção de muitos processos fiscais, o Brasil ainda enfrenta um elevado número de execuções fiscais, que chega a 21,3 milhões, com uma taxa de congestionamento de 73,8%. A litigiosidade continua a ser um dos principais obstáculos do sistema tributário brasileiro. Luiz Gustavo Bichara, especialista em direito tributário, alerta que a complexidade do sistema provavelmente aumentará antes de melhorar, uma vez que a reforma dará origem a novos litígios mesmo antes de ser totalmente implementada.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional do Brasil já está a preparar-se para as novas controvérsias, criando uma incubadora de teses. No entanto, as primeiras decisões judiciais já revelam desafios, como a exclusão do IBS sobre exportações indiretas, o que gera desigualdades e incertezas jurídicas. Além disso, há indefinições sobre a competência para julgar os novos impostos, como a CBS e o IBS, o que pode triplicar o contencioso tributário sobre o consumo.

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A complexidade da reforma tributária vai além da simples substituição de impostos. A convivência entre os novos e os antigos regimes tributários pode reconfigurar antigas controvérsias, deslocando-as para novas bases de discussão sobre creditamento e repartição de competências.

A experiência de Portugal pode oferecer lições valiosas. A modernização tributária em Portugal não se limitou a mudanças na legislação, mas também incluiu a criação de mecanismos que garantem estabilidade interpretativa e celeridade na resolução de litígios. A arbitragem tributária, consolidada no CAAD desde 2011, é um exemplo de como o país tem enfrentado os desafios fiscais.

Diante da expansão do contencioso tributário no Brasil, é crucial que o país aprenda com a experiência portuguesa para garantir uma reforma tributária eficaz e sustentável.

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Fonte: Sapo

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