A Agentic AI representa uma mudança significativa no modelo operacional das organizações, deixando de ser uma mera ferramenta tecnológica para se tornar uma camada de orquestração entre pessoas, processos e sistemas. Este conceito vai muito além de uma narrativa entusiasmante; trata-se de uma transformação estrutural que promete revolucionar a forma como as empresas operam.
As previsões da Gartner são claras: até 2029, a Agentic AI poderá resolver autonomamente 80% dos pedidos de serviço nas áreas de atendimento ao cliente. Esta evolução permitirá que as empresas reduzam significativamente os seus custos operacionais. A Agentic AI já não é uma tecnologia experimental, mas sim uma parte integrante da agenda estratégica das organizações, trazendo benefícios concretos.
Um dos principais ganhos da Agentic AI é a eficiência operacional. Ao reduzir os ciclos de execução e eliminar fricções entre equipas e sistemas, as empresas conseguem operar de forma mais fluida. Além disso, a escalabilidade é uma característica fundamental, permitindo que os negócios cresçam sem um aumento proporcional de custos, uma vez que a Agentic AI absorve uma parte significativa do trabalho operativo de forma contínua.
Outro aspecto importante é a conformidade. As decisões e processos orientados por dados garantem maior uniformidade e auditabilidade, reduzindo variações e riscos. Contudo, é essencial entender que a adoção da Agentic AI não elimina a necessidade de Robotic Process Automation (RPA); pelo contrário, complementa-a. Enquanto a Agentic AI se encarrega da interpretação e decisão, o RPA continua a ser a camada de execução crucial em sistemas onde a inteligência artificial não tem interface direta.
A complementaridade entre Agentic AI e RPA eleva o valor das automações existentes. Os bots, que antes eram scripts isolados, agora tornam-se capacidades acionadas por agentes, integradas em fluxos orientados a objetivos de negócio. O resultado é uma automação mais adaptativa e escalável, que não só melhora a eficiência, mas também impacta positivamente a experiência das equipas.
Quando o trabalho repetitivo é automatizado, as equipas têm mais espaço para se dedicarem à análise, criatividade e estratégia, o que aumenta a satisfação e acelera os ciclos de entrega. No entanto, o maior desafio não reside na tecnologia em si, mas na sua adoção. Um estudo da EY revela que apenas 24% dos utilizadores sentem que as suas organizações oferecem a formação adequada na área de inteligência artificial, gerando resistência à mudança e limitando o valor extraído.
A adoção da Agentic AI sem uma governança adequada pode resultar em decisões difíceis de explicar e riscos regulatórios. Além disso, as funções e carreiras estão a passar por uma transformação profunda, com o trabalho humano a evoluir de uma execução repetitiva para uma supervisão crítica.
As lideranças devem atuar em duas frentes: desenvolver competências específicas e criar uma cultura de confiança e evolução dos agentes. A chave para desbloquear o valor da Agentic AI reside na adoção, que só se concretiza quando competências e cultura coexistem.
Implementar a Agentic AI pode ser relativamente simples, mas gerar valor sustentável requer uma estratégia clara, princípios éticos e uma transformação cultural consistente. A Agentic AI não é apenas mais uma tecnologia; é uma mudança estrutural no modelo operacional. As organizações que conseguirem alinhar tecnologia, pessoas e governança estarão melhor posicionadas para liderar a próxima vaga de automação inteligente.
Importa, portanto, dissipar a ilusão de que implementar a Agentic AI é um processo “plug and play”. É necessário repensar processos, clarificar responsabilidades e redesenhar o modelo de operação.
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Fonte: Sapo





